Entrevistas

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Alex Senna tem seu trabalho espalhado por ruas e galerias de São Paulo, Berlim, Londres, Paris e Barcelona. Seu gosto pelo desenho vem desde a infância, por influência da mãe e do irmão. Daltônico, nunca gostou de colorir seus desenhos, segue uma estética monocromática típica de quadrinhos e desenho animado dos anos 50. Já produziu ilustrações para marcas como Hermès, Nike, Adidas, Emporio Armani e Livraria Saraiva.

 

Grafite por sua essência é feito de forma ilegal, sem pedir autorização, é um confronto com o sistema.


Como foi o primeiro contato com o grafite? 
Vendo nas ruas desde pequeno. Como sempre desenhei, o grafite me fascinava pelo fato de aparecer do dia pra noite e de ser sempre estiloso e diferente.
 
Quais são suas principais inspirações?
Me inspiro no dia a dia, na vida real.
 
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Seus trabalhos possuem uma estética monocromática e traços marcantes, como você define a identidade do seu trabalho?
Nunca gostei de colorir, além disso, sou daltônico, o que sempre me dificultou no uso das cores. Como eu sempre gostei muito de quadrinhos, acho que acabei indo para aquela estética de quadrinhos e desenho animado dos anos 50.
 
Podemos perceber a presença do passarinho em muitos de seus desenhos. Ele serve como uma assinatura? 
Sim, é o grilo falante, a conciência.
 
Como funciona o processo criativo de uma street art? Tem relação entre o local escolhido e a ilustração?
Sim, o local por si só, às vezes, é o grande lance. Eu pelo menos, já enxergo o desenho sem nem ter feito. Cada local pede um tipo de desenho.
 
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A sociedade consome grafite como consome coca-cola.
Qual a principal diferença entre o grafite e as ilustrações que não estão expostas no meio urbano?
Grafite por sua essência é feito de forma ilegal, sem pedir autorização, é um confronto com o sistema, aonde há regras. Já as ilustrações, muitas vezes tem um briefing e um viés comercial.
 
Você já fez intervenções artísticas em diversos países, além do Brasil, conte sobre essas experiências.
Foi muito importante pra mim conhecer novas culturas e entender como o grafitti e street art funcionam por lá. Além de conhecer outros artistas e cenários diferentes pra pintar. Tudo isso somou no meu jeito de fazer as coisas.
 
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Além de street art você também está confeccionando esculturas pra sua primeira exposição individual, chamada “Tempo”. Conte sobre a técnica e o projeto.  
Sim, é verdade. A exposição “Tempo”, será minha primeira exposição individual e contará com pinturas em telas, madeiras, além de esculturas e outras intervenções. Sempre gostei de esculturas e no caso dessa exposicão, estou trabalhando com alguns escultores que materializam as minhas ideias. Cada um no seu expertise, trabalhamos com fibra de vidro, resina, clay e madeira.
 
Como você entende o papel do grafite na sociedade contemporânea? 
Super inserido, em diversos segmentos. No mercado da arte, cinema, moda, publicidade. A sociedade consome grafite como consome coca-cola, viramos um produto.
 
Inovar na arte é difícil, mas não impossível. O importante é sempre estar produzindo e ser sincero com sua arte!
 

 

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Fonte: Alex Senna
Fotos: Divulgação
 
 

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