Entrevistas

Giovana Medeiros 1

Giovana Medeiros é uma catarinense um pouquinho tímida, que sempre gostou de desenhar. Fez curso técnico em design quando ainda estava no Ensino Médio e depois estudou Design de Moda, na graduação. Trabalhou por alguns anos na indústria criando estampas e padronagens. Depois de formada mudou-se para Dublin, na Irlanda. Lá estudou inglês e fez seus primeiros trabalhos como ilustradora. Ela também estudou mais sobre ilustração e aprendeu técnicas mais tradicionais, além de experimentar o contato com tintas e colagens. De volta ao Brasil, mas conectada ao mundo via internet, Giovana continua espalhando seus traços por aí e assim deixando a vida mais feliz. 
 

Ilustrar é a única coisa que eu sei fazer, e que me faz mais feliz sempre.
 
Quando você percebeu que poderia desenhar profissionalmente?
Eu fiz um curso técnico de design paralelo ao Ensino Médio, na época era obrigatório fazer um estágio e o meu foi numa agência de publicidade. Nesse estágio eu aprendi a desenhar no computador e entrei em contato com o trabalho de várias pessoas diferentes, foi quando eu descobri que existia essa carreira de ilustrador. Meu chefe, na época, achava legal que eu sabia desenhar e vivia pedindo para eu testar umas coisas - a maioria acabava não sendo usada - mas foi um aprendizado bem legal. Eventualmente isso foi bem útil para outros empregos. Mas, naquela época eu sempre pensava que precisava aliar minha vontade de desenhar com uma carreira mais "prática" como design gráfico ou moda. Eu acabei me formando em moda e trabalhei durante o curso todo em diferentes empresas deste segmento, em Criciúma, com a criação para estamparia. Eu até desenhava bastante e tinha muita chance de experimentar, mas percebia que toda vez que eu pegava um lápis na mão já vinha comentário: "CUIDADO PRA NÃO DEIXAR ESSE DESENHO INFANTIL". Com o tempo fui deixando de me irritar com isso e entendendo o recado, talvez eu não estivesse no caminho certo. Então, comecei a me dedicar a uns desenhos mais autorais e paralelamente fui publicando no meu Flickr pessoal.
 

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Seus primeiros trabalhos como ilustradora foram longe do Brasil, como foi isso?
Antes de mudar para Dublin eu já havia feito alguns trabalhos de encomendas pessoais, como livrinhos autorais que não foram publicados e estampas. Mas foi morando lá que fiz meus primeiros freelas para revistas brasileiras. A internet é uma coisa maravilhosa, pois possibilita esse tipo de coisa acontecer, foi assim que consegui meus primeiros trabalhos.
 
Queremos saber mais sobre os “Gidrinhos”, você continua criando?
Antes de me dedicar à ilustração, quando ainda trabalhava só com moda, comecei a colocar no Flickr algumas tirinhas autobiográficas - bem "tosquinhas" - que eu fazia nos meus intervalos de trabalho e durante as aulas da faculdade de moda (risos). Incrivelmente ganhei uma série de seguidores super legais. Teve um momento que eu comecei a me dedicar mais à ilustração e cansei de fazer aquelas histórinhas com desenhos "tosquinhos" e queria fazer coisas com um acabamento melhor. Eu continuei fazendo quadrinhos, mas nunca consegui definir um formato certo para eles. Eles sempre foram feitos aleatórios e nunca achei que deveriam estar no mesmo lugar. Ia sempre postando ou no Twitter,  Facebook ou Tumblr dependendo da minha vontade. Este ano decidi colocar eles todos num lugar só gidrinhos.tumblr.com. O nome surgiu porque eu estava realmente sem ideia melhor (risos). De uns tempos para cá, estou conseguindo produzir mais quadrinhos, acho que eu amadureci e meus desenhos também, então tem feito mais sentido fazer. Além disso, também tenho muitas ideias anotadas, coisas que fui guardando e de vez em quando resgato um para criar um quadrinho. Agora estou revivendo várias! Neste ano também vou publicar uma pequena coletânea de "Gidrinhos" para levar o FIQ
 

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De tudo o que você já ilustrou, o que foi mais marcante para você?
Tem alguns trabalhos que foram muito importantes, como o que fiz pra Chronicle Books, que foi meio que um divisor de águas na forma que eu encarava minha carreira, além de ter sido meu primeiro trabalho grande e internacional. Outro que foi muito especial, foi o pôster que fiz para exposição de fim de ano do meu curso de ilustração, em Dublin. Estudei dois anos lá e eu  era a única estrangeira da minha turma, então meus professores me convidaram para criar o pôster. Mme senti muito honrada, afinal me dediquei o máximo durante todo o curso. Parece que foi uma forma de reconhecimento, por isso fiquei feliz com o resultado.
 
Você ilustrou o livro Depois dos Quinze, da blogueira Bruna Vieira, que teve muita repercussão. Gerou também algum impacto para o seu trabalho?
SIM!!! Até hoje recebo convite para trabalhos como freelancer, oportunidades vindas de pessoas que me encontraram por causa do livro. Tive muita sorte em ter sido encontrada pela Bruna nas redes sociais e sou grata até hoje por isso. Ahh, nem preciso dizer que minhas redes sociais surtaram quando saiu o trabalho, né? Até hoje tem gente que vê o livro e me manda foto. 
 

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Você está usando essa vitrine da internet para potencializar o alcance do seu trabalho? 
Se não fosse a internet acho que eu não teria uma carreira. Primeiro porque talvez eu nem soubesse que ilustração é uma carreira, segundo porque eu nunca conseguiria trabalho algum. Não consigo nem imaginar o que é telefonar para um diretor de arte pedindo uma reunião para mostrar portfólio (minhas saudações para quem consegue fazer isso!). Então, como freelancer eu trabalho em casa e graças a internet formei uma rede de contatos e amigos que também trabalham nessa área e estão sempre online quando eu preciso de uma ajudinha. Também sempre postei meus desenhos na internet, comecei no Fotolog, Deviantart, Flickr, Tumblr e hoje uso o que tenho ao meu alcance: Behance, Facebook, Twitter, Instagram e claro, meu portfólio online. Descobri que a medida que eu vou migrando as pessoas que eu conheci, também vão. Todos os trabalhos que consegui foram graças a internet. Como sou muito tímida para fazer networking pessoalmente - apesar de que estou aprendendo a lidar - eu abuso mesmo das redes sociais - é muito mais fácil mandar um email ou um inbox do que telefonar.
 
Se não fosse a internet acho que eu não teria uma carreira. Todos os trabalhos que consegui foram graças a internet. 
Você fez uma viagem pela Europa que virou um diário ilustrado. Conte mais sobre isso. 
Quando eu fui para Dublin minha ideia também era também conhecer outros países que ficavam perto, mas como decidi estudar e o curso era puxado (tanto de tempo, quanto financeiramente) tive que adiar. No ano passado eu sabia que seria meu último ano lá e decidi fazer um "mochilão-intensivo" para compensar tudo que não tinha viajado nos outros dois anos anteriores. Essa experiência foi tão maravilhosa que eu fiquei pensando o tempo todo: "as pessoas PRECISAM saber que eu fiz isso". Parece uma coisa meio egocêntrica, mas como eu adoro ler sobre a viagem de outas pessoas e pensei que talvez outras pessoas também gostariam de ler sobe a minha. Conseguir viajar por 33 dias mudando de cidade, pulando de estação para estação de trem, mudando de hostel. Foi uma vitória para mim. Como a viagem foi meio longa e corrida, não consegui desenhar quase nada enquanto estava lá, mas cuidei para ao menos anotar tudo o que fiz e guardar o máximo de informações. Demorei um bom tempo para decidir como ia fazer e agora, quando completou um ano da partida para viagem, decidi que iria desenhar uma página para cada dia da viagem. Fiz em preto e branco para facilitar a impressão no futuro, caso eu quisesse imprimir. Terminei em agosto e a medida que fui postando nas redes sociais percebi que as pessoas tinham um certo interesse. Quando decidi que eu iria ao FIQ neste mês queria ter algum material para levar e aí decidi arriscar e mandei imprimir! Até agora a recepção tem sido bem legal, embora às vezes eu tenha umas crises pensando "hum, será que eu precisava mesmo gastar esse monte de papel para que as pessoas soubessem o que eu comi na europa?". 
 
 

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Quais são seus próximos planos profissionais?
Meu maior plano é conseguir uma consistência na carreira - ou aprender a lidar com a inconstância - e fazer trabalhos que eu curta e deixe as pessoas felizes (quem sabe?). Ahh, ainda este ano vou dar meu primeiro workshop pela PROA, em Criciúma. É uma atividade nova, que ainda me deixa um pouco assustada, mas também empolgada para explorar! 

 
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Fonte e Fotos: Giovana Medeiros

 

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