Entrevistas

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Juliana Hoffmann nasceu no interior de Santa Catarina e despertou o interesse pela arte ainda na infância. Atualmente ela vive e trabalha em Florianópolis (SC), onde apresenta a exposição Detalhes, no Coletivo NACASA, a partir de amanhã à noite até o dia 11 de dezembro. Ela já expôs em diversas cidades catarinenses, em São Paulo e Curitiba, na Itália, França e Eua. Juliana fez residência artística na França em 2007 e nos Estados Unidos no ano seguinte. Segundo a professora de Filosofia e História da Arte Anita Koineski, as obras de Juliana Hoffman adquirem força pelas imagens que nelas se multiplicam na insistência do “olhar buscador”. 

Já levei alguns nãos e vários sims, o segredo é não desanimar. Acho bem positivo uma crítica verdadeira.

Quando você percebeu o interesse pelas artes plásticas e como o transformou em profissão?

Sempre desenhei muito quando criança. Aos 10 anos, numas férias aqui em Florianópolis, para ocupar as crianças minha mãe e minha tia compraram tintas e umas telas. Foi quando fiz minha primeira tela: um espantalho num fundo azul. Depois, nunca mais parei. Não desejei transformar em profissão e como venho de uma família de artistas, conhecia bem as dificuldades para viver de arte em Santa Catarina. Então, tive que escolher entre ser artista, trabalhando em jornada dupla, com arte e com um trabalho que garantisse o pão, ou ter uma vida ‘normal’. Primeiro escolhi a vida ‘normal’ e estudei engenharia. Mas, como a arte esta na alma, não adiantou, abandonei a engenharia e desde então me dedico à arte.

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Você é autodidata, como foi a busca por conhecimento, técnicas e referências?
Eu cresci num mundo de literatos, pois meu pai é escritor. Tenho muito interesse pelo drama humano, alegrias, sonhos, conflitos e angústias, formam o meu olhar. Sou autodidata pelas circunstâncias, mas não tenho nada contra a academia. Quando decidi me dedicar à arte eu não tinha como para voltar para a faculdade. Meu tempo já era fragmentado entre a família, o trabalho e a arte, então teria que sacrificar um deles, por isso optei por aprender sozinha mesmo, errando e aprendendo. Sempre pesquisei em livros e agora a internet ajuda demais, às vezes faço viagens. Quanto às técnicas, vou experimentando, fazendo, desfazendo, trocando ideias com colegas, participo de oficinas e leio muito, vou aprendendo pelo caminho. Paul Klee dizia: “O artista acha o que vai de encontro a sua busca”, acho que é por ai.

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Como é o seu ambiente de trabalho e como acontece o seu processo criativo?
Meu ateliê tem que ter muitas mesas, nunca usei cavalete. Como venho do desenho, comecei na mesa e na mesa fiquei. Gosto de ter meus livros por perto e a música sempre me acompanha. Tenho paixão pelo fazer. Acho que o processo criativo do artista é uma coisa contínua, não só do artista, mas de todo profissional. Estamos sempre pensando e associando tudo que acontece no nosso dia a dia ao nosso trabalho. Não é todo dia que consigo ir para o ateliê, mas sempre tenho papel e caneta para fazer minhas anotações. Leio, assisto vídeos e filmes. Adapto-me fácil a qualquer situação. Posso passar um longo período só no ateliê produzindo e é maravilhoso. Mas se a vida me afasta do ateliê por um período, eu aproveito este afastamento para me alimentar e refletir, sem drama. O afastamento às vezes é até necessário e pode ser saudável.

Tenho várias referências, com certeza a mais forte é Anselm Kiefer, artista alemão contemporâneo. Hoje com o acesso tão fácil e rápido à informação tudo nos influencia, a música, o vídeo, a dança, a literatura. 

Você já expôs em diversos museus e salões, conte um pouco sobre essas experiências.
A participação em salões começou por acaso. Na adolescência, aos 17 anos, eu desenhava muito. Na época tínhamos aqui em Santa Catarina o Salão dos Novos Artistas da RBS e minha irmã sugeriu que eu inscrevesse alguns trabalhos. Ganhei o primeiro prêmio, me empolguei e fui inscrevendo trabalhos em outros salões. Fui premiada em mais três e as coisas foram acontecendo. Já levei alguns nãos e vários sims, o segredo é não desanimar. Acho bem positivo uma crítica verdadeira. A minha experiência internacional se deu de várias formas, uma delas foi através da internet. Inscrevi uma obra para participar de uma exposição coletiva no Museu de Arte Contemporânea Castelo de Rivara, em Turim, e fui aprovada. Fui premiada na Bienal de Sorocaba e recebi o convite para participar de uma exposição coletiva em Nova Iorque. Participei da residência artística Paint a Future, na Franca. Em 2008 fui convidada para participar da residência artística No Boundaries, na Carolina do Norte, nos EUA. Como já comentei, quando a gente está sempre produzindo e expondo, as coisas vão acontecendo.

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Qual foi a exposição mais marcante para você?
Cada exposição me marca de um jeito. Minhas principais referências no início eram os mestres daqui: Meyer Filho, Martinho De Haro, Vechetti, Pleticos, Hassis... Meu primeiro prêmio em um Salão eu recebi do Meyer Filho. Na montagem da minha primeira exposição individual, chegou na sala um senhor com muita dificuldade para caminhar, era o Pedro Paulo Vechietti, ele não me conhecia, mas chegou perguntando: “quem é a Hoffmann?”. Ele foi o primeiro a ver a exposição, pouco antes de falecer. A primeira exposição individual no MASC foi no período em que o grande crítico de arte Harry Laus dirigia o Museu. O que eu mais gosto quando monto uma exposição é a possibilidade de ver minha própria obra com um certo afastamento, neste sentido a exposição mais marcante foi a de 2008, no Museu Histórico de Santa Catarina - Palácio Cruz e Sousa.

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Para quem está começando no mercado de artes plásticas eu recomendo muito trabalho e muita persistência. Tomem as críticas como algo positivo e construtivo. Curtam o FAZER que é a melhor parte do processo

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Fotos: 1 Joyce Mussi; 2 a 8 Divulgação.
 

 

 

 

 

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