Entrevistas

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Loro Verz é artista plástico, ilustrador, cartunista e designer. Formado em artes plásticas pela Central Saint Martins, renomada faculdade britânica de belas artes e design. Suas obras já foram expostas em Londres, Nova Iorque e São Paulo. Ele já desenvolveu ilustrações e obras de arte para diversas marcas, revistas, livros e muito mais. Já trabalhou como cartunista, professor na Escola São Paulo e representante brasileiro nos Jogos Olímpicos de Londres (2012), customizando tênis para presentear atletas da competição. Ele afirma que: "pinta como vê o mundo e não como ele é".
 
Desenho a vida sem borracha.

Você é ilustrador, artista plástico, cartunista e designer. Você vê o profissional multifacetado como uma tendência?
Sou ansioso e inquieto. Procuro diversificar em técnicas, estilos e suportes. Não tenho certeza se um profissional multifacetado é tendência, mas certamente a personalidade ansiosa é uma tendência da humanidade contemporânea. Vivemos em tempos frenéticos e eu não consigo ficar muito tempo me repetindo, sempre procuro me reinventar e isso talvez me faça um artista multifacetado, talvez…. mas ansioso com certeza!
 

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Como é o seu processo criativo? Para criar você precisa de solidão, caos ou música?
Millôr Fernandes uma vez escreveu que "Viver é desenhar sem borracha”. É genial porque é o que é! É isso e pronto. Não divago sobre o que faço e enquanto eu faço eu sumo. Escuto jazz, muito além disso na verdade, Miles Davis. E meu processo é como a improvisação do jazz. Crio na hora. Para se criar temos que abrir portas que se fecham quando a obra de arte está pronta. Desenho a vida sem borracha.
 
O papel da arte é unir. Desconstruo para criar união. Seja ela qual for.
 
Londres, Nova York e São Paulo, onde você já expôs, receberam a sua arte de forma semelhante ou teve muita diferença? Além do idioma e da moeda, é claro... (rsrs)
A humanidade é caótica. Pensamentos partem da teoria do caos. Não sabemos o que vem pela frente, apenas caminhamos rumo ao desconhecido improvisando. É outra maneira de falar que vivemos. E o mundo está cada vez mais ansioso e rápido. Em qualquer parte do globo é a mesma situação. O caos impera desde as partículas de quarks até galáxias há 100 milhões de ano-luz da terra. Procuro no meu trabalho fazer um retrato do nosso tempo o que produz um efeito universal que é compreendido e recebido da mesma forma nos lugares que expus. O papel da arte é unir. Desconstruo para criar união. Seja ela qual for.
 
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Você já criou para diversas marcas, entre elas Schultz, LoveSut, Adidas e Puma. Como vê essa conexão da arte com o universo da moda? 
Tudo caminha junto, algumas vezes de mãos dadas, outras não, mas tudo caminha lado a lado. Na renascença os artistas retratavam sua época. Isso engloba arte, cultura, vestuário, culinária e etc. Seria estranho ver uma obra de Caravaggio com São Mateus usando tênis e os anjos dançando funk e tirando fotos com o pau do selfie (tá aí um boa ideia para uma nova série…).
 
O segredo da ruína é criar para satisfazer os outros. 
 
Como você desenvolveu sua própria linguagem?  
Pesquisando, lendo, viajando pelo mundo, me permitindo ter as mais variadas e diferentes experiências e mais importante de tudo: criando. Não se faz quando não se cria. Não existe sua própria linguagem sem criar constantemente. Eu procuro diversificar as linguagens, técnicas e suportes. É uma opção pessoal, talvez seja movido pela curiosidade e ansiedade de reinventar. Não gosto de fórmulas. Não faço estudos antes. Apenas vou para meu estúdio, escuto jazz e começo. E, enquanto eu crio, entro em contato com as infinitas possibilidades de criação e sumo. Tudo se torna um e o produto final é uma obra de arte. É um pedaço daquele território gentil e distante que visito enquanto crio.
 

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O que mais te inspira? 
O balançar das folhas das árvores, sistemas complexos, o universo e uma pequena formiga carregando em suas costas uma folha enorme que é mais pesado que ela mil vezes. Basta olhar em volta para se inspirar. Mas não basta olhar, tem que enxergar, como dizia Saramago. 
 
Como tem sido a recepção do público para esse estilo novo, onde você usa materiais alternativos, como luz neon e colagem? 
Tenho sorte de viver com o que amo fazer. O segredo da ruína é criar para satisfazer os outros. O segredo é chegar dentro de seu coração e tem que sair de lá, seja lá o que for, será verdadeiro…desde um abraço até um traço de lápis em um pedaço de papel. Como disse, me sinto afortunado de viver com minha arte em um país que geralmente não dá valor aos seus próprios artistas. Estou sempre tentando ir além da pequena arena quadrada. Tem que ser desapegado e ousado para se fazer isso, e eu penso nisso a cada segundo da minha vida. A arte acompanha a evolução pessoal do artista. Repetir é cometer os mesmos erros. E eu quero errar muito, mas cometer novos erros!
 
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A irreverência e o humor ácido são características do seu trabalho e você já atuou como cartunista. Qual a sua percepção sobre o ataque ao Charlie Hebdo, na França? 
Existem mais galáxias visíveis no universo do que grãos de areia em todas as praias e desertos do nosso planeta. Em cada uma dessas galáxias existem trilhões de estrelas ao quadrado. Somos muito pequenos para compreender essa imensidão vertiginosa. Existem milhares de opiniões diferentes sobre qualquer assunto nesse planeta. Quando nos deparamos com esse abismo infinito e complexo nos resta apenas uma coisa a fazer: dar risada.
 
 
Inovar é preciso, porque é precisamente no ato de inovar que se cria a necessidade de algo inovador.
 
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Fonte: Loro Verz
Fotos: Divulgação
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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