Entrevistas

Myrine Vlavianos

Filha do escultor Nicolas Vlavianos e da pintora e galerista Teresa Nazar, Myrine Vlavianos cresceu no meio artístico paulistano e foi sócia da galeria Multipla de Arte. Há 15 anos mudou-se para Florianópolis, onde deu continuidade a seu trabalho de galerista e consultora de arte, buscando aproximar o público local da melhor produção contemporânea brasileira e, ao mesmo tempo, difundir a arte catarinense para além das fronteiras do Estado. 

Cidade: São Paulo/SP

Qual a importância do papel do curador no mercado de arte contemporânea?

O papel do curador é estabelecer relações entre obras de um mesmo artista ou de diferentes artistas com o objetivo de ajudar o público a compreender uma determinada trajetória ou tema ou período. O curador é um dos agentes da arte contemporânea, assim como são os críticos de arte, professores, galeristas, colecionadores. Mas temos que ter sempre em mente que cabe ao artista o papel principal na cena artística contemporânea.

Qual o maior desafio que atravessou na carreira de galerista, consultora de arte e curadoria? 

Meu maior desafio ainda está em curso, é trabalhar com arte contemporânea fora do eixo Rio-São Paulo. 

Myrine Vlavianos2
Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS.

Os artistas plásticos têm contribuído mais efetivamente no processo de Brand e Licenciamento para marcas, seja na embalagem ou no desenho de produtos. Você acha que essa tendência cresce de forma orgânica ou é "boom" passageiro? Além disso o que implica na carreira do artista?

A associação de artistas com produtos ou marcas é um fenômeno que acontece há muitos anos, mas que parece se acentuar nos últimos tempos. Pode tornar a obra de um artista mais popular, mas isso não deve influenciar sua trajetória – negativa ou positivamente. 

Qual o papel do artista na sociedade contemporânea? 

O artista contemporâneo busca provocar uma reflexão crítica da sociedade em que vivemos. Isso pode se dar de forma explícita – ou seja, discutindo em sua obra questões sociais, econômicas, ambientais, sexuais ou políticas do nosso tempo – ou voltando-se para questões intrínsecas do fazer artístico – técnicas e meios que possibilitem ao artista expressar sua visão do mundo e da própria arte.

Qual sua opinião sobre o momento atual da Arte Brasileira? 

Nos últimos 10 anos a arte brasileira tem vivido uma constante valorização, tanto no meio curatorial – com o aumento da participação de artistas brasileiros em exposições de museus dentro e fora do país -, quanto no mercado de arte - com a crescente presença de artistas brasileiros nas feiras de arte e leilões internacionais.

Quais os artistas você mais admira na cena atual de arte contemporânea brasileira? 

São muitos, impossível enumerar os talentos atuais, mas, como exemplo, posso citar o primeiro nome de um artista jovem que me veio a cabeça: o paulista Henrique Oliveira, que faz esculturas e instalações com restos de tapume.
 

Henrique Oliveira
Escultura Henrique Oliveira
Henrique Oliveira2
Escultura Henrique Oliveira

O que você aconselha para os novos profissionais do mercado de arte? 

Ao curador eu diria o que coloquei na primeira resposta: ao organizar exposições, lembre-se que o papel de destaque cabe ao artista - e não ao curador. Ao artista eu diria para manter-se sempre fiel a sua obra, independente das pressões do mercado. E ao galerista, que pense como o artista, ou seja, não tenha a venda como objetivo, mas sim como consequência de um trabalho bem realizado.   

 

 

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