Entrevistas

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Nestor Jr. nasceu  no litoral catarinense, iniciou sua carreira profissional em 2002. Sua primeira exposição foi em Blumenau (SC), onde viveu por por sete anos, de lá pra cá, já expôs em São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Espanha, Portugal e França, entre outros lugares. Foi na França, onde viveu por um ano, que ele deu início aos estudos no campo da gravura. De volta a Santa Catarina, Nestor Jr. continua dedicado ao estudo de novas técnicas, seu pequeno ateliê está cheio de papéis espalhados por uma mesa. Vamos esperar o que vem por aí. 

Qual foi o primeiro sinal que te levou a ser um artista?
Desde cedo eu já gostava muito da ideia do isolamento criativo. Passava horas desenhando, recortando e colando coisas. Criando meus próprios brinquedos com objetos naturais - cresci no interior de Santa Catarina e sempre precisei criar meus próprios brinquedos, pois não tinha muitos. Mas foi aos 14 anos me deu o clique definitivo de que seguiria desenhando (naquele momento ainda não pintava). Então fui estudar desenho acadêmico e segui criando.

Minha inspiração é cotidiano. Sou muito influenciado pelo que me cerca. Tanto pessoas, como situações, a natureza...

 

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Como surgiu a construção dos traços autorais nas suas ilustrações?
Essa coisa do estilo é um pouco engraçada, eu acho que é algo que acontece inconscientemente. Assim como desenhar é algo natural, sabes?! No meu caso, a forma como me expresso e o estilo final do meu trabalho surgiram justamente de uma dificuldade. Quando eu comecei a levar mais a sério o desenho, ainda na adolescência. Eu estudava desenho acadêmico, as proporções, formas bem estruturadas e isso tudo tem influência matemática. Essa forma de desenhar e criar me incomodava e ainda me incomoda muito, essa preocupação em manter as proporções e as distâncias entre os elementos que formam os objetos e o corpo em si. Então, teve um momento por volta dos 18 anos, que eu me dei conta que eu simplesmente não conseguia reproduzir as coisas e as suas proporções. Foi aí que comecei propositalmente a quebrar essas regras acadêmicas. Sempre que tinha dificuldade para manter as proporções eu exagerava nas desproporções. Com isso o certo e errado deixaram de existir e ganhei liberdade pra criar o que eu tinha vontade. Sem limites. Assim nasceu o traço que caracteriza o meu trabalho.

Acredito que os jovens criadores estão no mesmo nível, tanto aqui quanto fora do Brasil.

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Seus desenhos e pinturas possuem uma mistura de técnicas ou você é fiel a alguma específica?
Meu trabalho mais concreto é com aquarela, a técnica que eu mais gosto de trabalhar e pesquisar. Em 2010 eu decidi que começaria a pesquisar novas técnicas dentro da linguagem plástica, pra fugir do comodismo. Já trabalho com aquarela desde 2002/2003 e precisava buscar coisas novas. Então, nos últimos 3 anos, estudei e trabalhei com gravura - linogravura, xilogravura e gravura em metal. Ano passado comecei a estudar e praticar fotografia. Minha vontade é a cada três anos fazer esse exercício de trabalher uma nova linguagem ou técnica.

Minha maior realização é viver do meu trabalho autoral.

Como você vê o papel do artista na sociedade contemporânea?
Acho que cada artista trabalha de um jeito diferente. Uns tem um trabalho mais político e questionador, enquanto outros trabalham mais com a questão plástica. Tem ainda os que resolvem as suas próprias questões, dando vazão para elas na sua criação.

 

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Fotos: 1 Lucian Januário, 2 a 5 Divulgação.
Mais informações:  www.facebook.com e www.flickr.com.

 

 

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