Entrevistas

Rodrigo Cunha

Artista plástico, radicado em Santa Catarina, com formação em Pintura e Gravura pela Universidade de Santa Catarina. Seu trabalho já foi apresentado em inúmeras exposições pelo Brasil como no Museu Victor Meirelles (Florianópolis), Galeria Múltipla de Arte (São Paulo) e Salão Branco do Congresso Nacional (Brasília). Atualmente o artista é representado pela Galeria Zipper de São Paulo.

Idade: 37

Cidade: Florianópolis/SC

 

O que te inspira?

O que mais me inspirou até aqui,  são as obras de artistas que considero terem entendido e executado, em sua mais perfeita aparição, a pintura com as duas qualidades a seguir: a eficiência e a poesia, uma operando em favor da outra, mutuamente. O que nos leva a pensar na velha questão forma e conteúdo. Em outras palavras, foram, no meu modo de perceber, os pintores que melhor souberam usar as tintas na intenção de "capturar" a vida:  Rembrandt, Velazquez e mais recentemente, Lucian Freud.

Fale um pouco da sua trajetória.

Desde criança gostava de desenhar, especificamente personagens, acompanhados de suas respectivas biografias. Muito depois, me formei em pintura pela UDESC e em 2003 fiz minha primeira grande individual, no MASC - Museu de Arte de Santa Catarina. Então vieram outras exposições pelo Estado e a possibilidade de expor em São Paulo. E continuei com os personagens, mas agora sem precisar do texto escrito para justificá-los, buscando sua força narrativa exclusivamente no fato pictórico.


Como funciona seu dia a dia no processo de criação? 

Meu processo de criação depende da luz natural, então procuro organizar meus afazeres a partir desta premissa.  

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Quanto tempo você demorou para se estabeler na carreira de artista plástico tendo a certeza de que daria para viver do seu trabalho?

Senti que meu trabalho me daria algum fôlego financeiro real apenas em 2011, quado passei a ser representado pela galeria paulistana Zipper. Contando que me formei em 2002, foram uns bons anos trabalhando, sem grandes certezas. Hoje ainda não as tenho, mas agora já obtive algumas respostas.

Como sua personalidade, seu estilo pessoal interfere no seu processo criativo?

Nunca achei que tinha  grande talento (o que  entendo por facilidade de executar determinada tarefa), mas acredito que tenho  a vocação (que é a vontade) para ser pintor. Gosto de silêncio e tenho boa tolerância ao isolamento, o que ajuda a um pintor. Sou paciente e um tanto obstinado. Também possuo uma peculiaridade que tem se mostrado bastante útil: não tenho problema algum em admitir que estou equivocado, e rever minha opinião. O que me torna, às vezes irritantemente relativista. No meu processo de trabalho, isso se reflete no acúmulo de camadas, apagando sem trégua o que está em desacordo e acrescentando camadas de tinta até que a imagem passe a "funcionar". 

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Como tudo começou? O que foi fundamental para o despertar pelo interesse no mercado de arte?

O mercado em si não é algo que eu entenda com propriedade. O que sempre me motivou foi o fazer estético. Hoje compreendo, a criança desenhista ainda está aqui comigo, mas com uma bagagem um tanto  mais completa.

Qua sua maior ambição como profissional e ser humano?

Como artista, criar uma obra atemporal e universal. Como ser humano, cultivar a liberdade, porém entendendo que em sua plenitude ela é inviável, já que estamos inevitavelmente atrelados a um corpo (físico, social, ou celestial).

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Em que aspectos você considera que sua arte possa intervir na sociedade?

Vejo a  arte como uma espécie de reserva, uma fonte, onde através de sua beleza e potência, nos libertaria de amarras mentais das mais diferentes origens e nos redimiria em nossa condição humana. Não é da natureza da arte levantar bandeiras, pois isto restringe seu alcance e subtrai sua universalidade. Ela não deve servir a um grupo ou causa. A grande arte seria como um copo d'agua, que serviria tanto ao judeu, quanto ao muçulmano. Se ela interfere no tecido social, é através de uma abordagem individual e extremamente pessoal. Essa é a faculdade intransferível e característica fundamental do que de maior foi feito, neste campo das atividades humanas.  

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Fotos: Galeria Zipper

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