Entrevistas

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O catarinense Gert Mehlan é stylist e ilustrador de moda nas horas vagas, gosto que ele carrega desde pequeno quando desenhava vestidos para a mãe. Segundo ele o stylist precisa ser responsável, disciplinado e o mais importante: ter paixão pelo faz. Tem alguma dúvida de que o moço vai longe? Leia a entrevista completa. 

Conte um pouco sobre a sua trajetória.
Desde pequeno sempre fui interessado por moda. Lembro que todo dia perdia horas desenhando vestidos imaginando que minha mãe os usaria. Entrei num curso superior em moda com o sonho de todo calouro: se formar, ter uma grife e o nome estabelecidos. Mera ilusão. Antes da metade do curso desisti do estilismo e me descobri como stylist. Tive a sorte de conhecer pessoas incríveis, que sempre me ajudaram nesse processo, em especial minhas duas tutoras: Mirian Koerich e Marcella P. Xavier. Elas me ensinaram tudo o que sei.

Sempre almejei trabalhar com moda e, por mais que algumas vezes tudo estivesse contra, me mantive firme e hoje me considero um profissional.

Como você define o estilo do seu trabalho?
Meu estilo de trabalho é abrangente. Sou muito curioso e estou sempre em busca de novos conhecimentos que agreguem ao meu trabalho, então gosto de muitas coisas. Acredito que focar em algo é bom, desde que isso não vire padrão. Para um stylist é muito importante se moldar e ver além do óbvio, afinal, somos nós que criamos a atmosfera de cada trabalho. Particularmente, amo esse lado camaleão. Claro que sempre irá existir certa singularidade, mas por questões de personalidade, o que considero de extrema importância, pois é o que difere cada profissional.

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Falando em estilo, quem você considera ter um estilo bacana no país?

Dudu Bertholini, que além de um profissional excelente tem um discurso estético que enche os olhos. Kaftans, turbantes, cabelos longos, estampas, inúmeros acessórios, poses... liberdade de expressão exposta para todos. Veste o estilo que propõem para as super mulheres que cria e transmite a liberdade de cada um ser quem realmente deseja ser, usando a moda como ferramenta ao seu favor, não o contrário.

Qual stylist te inspira?
Tenho alguns stylists-inspiração, dentre os quais posso citar dois nomes: Carine Roitfeld, que trouxe a estética "porno-chic" para o grande público quando revolucionou a imagem da Gucci nos anos 90; e Edward Enninful, atual diretor de moda da W Magazine, pelo seu styling jovem, inovador e inspirador.

A moda valoriza o preço em detrimento da qualidade e a produção em escala reduz o custo do produto. Você vê essa tendência como passageira?
Gostaria que a moda mais exclusiva, customizada caminhasse junto com essa moda escalável, mas não acredito nisso. A exclusividade sempre foi algo caro e nunca deixará de ser. O que acontece nos dias atuais é que as pessoas aprenderam a consumir a moda como forma de discurso, com isso deixaram de ser iguais e resolveram se expor. O grande problema é que a maioria das pessoas não tem condições de consumir o exclusivo e os famosos fast-fashions aproveitam essa “deixa" para vender um produto em larga escala, com qualidade inferior e por preços menores, porém com o mesmo discurso da peça exclusiva. Infelizmente a grande maioria dos consumidores não se interessa pelo processo de uma peça exclusiva e por isso não entende seu valor. No fim, as roupas "descartáveis" acabam se tornando muito mais atraentes.

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Quais são seus planos para o futuro?
Acredito que o futuro será ótimo, mas tenho os pés no chão e deixo que o destino se encarregue do resto. É bom projetar o futuro, mas no momento estou mais preocupado com o presente e com o que é "palpável". Aproveito cada momento, tudo e todos que me fazem bem. O futuro depende do presente, por isso priorizo o hoje para desfrutar mais tarde do amanhã.

Como sua personalidade e seu estilo pessoal interferem no seu processo criativo?
Interferem diretamente. Em todo o processo coloco minha personalidade, e não vejo outra maneira de fazê-lo. Apesar de acreditar que o styling deve ser abrangente é quase impossível não colocar um pouco de si em cada trabalho. Visão criativa e personalidade, a partir disso cria-se o diferencial.

Qual dica você daria para quem tem interesse em se tornar stylist?
Ter objetivos e saber que a área de moda nem sempre será amigável. Ouvir tudo e todos que passarem por você e aproveitar todas as oportunidades que aparecerem, por mais "bobas" que pareçam sempre se aprende algo que será usado à frente. Ter consciência que como em qualquer outra área o inicio nunca será fácil.

Para se tornar um stylist é preciso ser responsável, disciplinado e o mais importante, ter paixão pelo que faz.

 

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Fotos: Divulgação 

 

 



 

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