Entrevistas

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Igor Dadona releva um universo sombrio usando uma cartela de cores composta por preto, branco e off-white. Desde os tempos da faculdade já chamava a atenção, com trabalhos que revelavam seu gosto pelo sombrio, destacando uma beleza que foge ao óbvio. Entrou para a Casa de Criadores, onde ganhou visibilidade e a aceitação de especialistas do segmento, tornando-se uma das promessas do cenário nacional da moda. Nesta entrevista ele conta sobre o seu refúgio para criação e suas fontes de inspiração. 

Sempre busquei referências nesse meu gosto pelo sombrio, pela beleza não óbvia e na minha maneira de entender o belo. Já fazia isso na época da faculdade, cada novo projeto era uma nova oportunidade de criar uma identidade e firmar meu estilo.

Como você ingressou na área de moda e quando começou a criar?
Quando eu era bem pequeno gostava de desenhar personagens de videogame, fui crescendo e não parei de desenhar, mas comecei a criar meus próprios “personagens”, até que alguns familiares começaram a perceber a atenção que eu dava para as roupas, o detalhamento e o carinho com que cuidava dessa parte. Comecei então a pesquisar sobre o assunto, livros, revistas, sites e vi que era ali (no universo da moda), o meu lugar. Não fiz nenhum curso antes de ingressar na universidade em 2008, me formei na Anhembi Morumbi, em 2011. Decidi entrar direto, pois como disse, sempre desenhei e criei, só me faltavam algumas técnicas e conhecimentos do processo criativo. Então fui buscar essa base e seguir a carreira que escolhi.

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Conte um pouco sobre suas experiências profissionais e o quanto elas contribuíram para o seu trabalho hoje?
Entrei para a universidade de moda em 2008, ano em que tive meu primeiro trabalho na área. Trabalhei com o estilista Mario Queiroz e tive contato direto com o backstage de desfile. No ano seguinte, fui convidado pelo jornalista e editor de moda masculina, Lula Rodrigues, para ser seu assistente. Fiquei com Lula até 2010, cobrindo as principais semanas de moda do Brasil, também foi onde tive meu maior contato com a moda masculina, que viria a ser minha principal aposta de trabalho. Logo após, comecei a trabalhar com o stylist Rapha Mendonça, conhecido por seu trabalho em grandes revistas do Brasil e do mundo, com campanhas para grandes grifes nacionais e internacionais. Minha graduação foi em 2011, quando comercializei minha primeira coleção, que foi meu trabalho de conclusão de curso. No ano seguinte lancei minha primeira coleção totalmente masculina e desde então me dedico apenas à marca Igor Dadona. Este ano recebi o convite para entrar na Casa de Criadores e fiquei extremamente feliz e orgulhoso. O evento me abriu muitas portas e aumentou demais a visibilidade do meu trabalho, pois através de lá, tive a oportunidade de mostrar minhas criações através de desfiles, que alcançaram a mídia nacional e internacional. Realmente não tem preço o que a Casa de Criadores fez por mim, tenho um carinho muito grande.

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Como você desenvolveu o conceito da sua marca? Onde busca inspiração e referências?
Como comentei acima, busco dentro dos meus pensamentos as principais referências para o meu trabalho, que se passa num mundo sombrio. Embora carregue certo peso, o meu trabalho também é rodeado por delicadeza e sentimento. Procuro sempre utilizar referências subjetivas e mesclo com coisas mais “palpáveis”, como filmes, música, artistas visuais, etc. Adoro conhecer novos artistas e explorar o universo deles, quando possível a interação com o meu, acho genial!

Como é o seu cotidiano e ambiente de trabalho?
Trabalho em casa, mais especificamente em meu quarto, meu local preferido. Gosto de silêncio e das coisas milimetricamente organizadas hahaha. Ouço música o dia todo e gosto de me sentir sozinho enquanto crio, a solidão é uma bela aliada da criação. Passo o dia desenhando, alimentando redes sociais, planejando ensaios fotográficos e outras coleções. Quando saio de casa vou para o ateliê das costureiras, cuido de tudo por lá, e volto para casa. Eu conto com três costureiras, cada uma com seu ateliê próprio. Elas também são as responsáveis pela maioria das modelagens, fazem tudo com muito amor. São anjos!

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Você costuma dividir o seu mundo com o público através das coleções. Você acompanha as impressões, comentários e percepções sobre suas criações?
Sim! Eu AMO o feedback das pessoas, é muito bom saber o que amaram ou odiaram, isso é o que mais faz crescer. Fico muito feliz quando lanço algo e todos comentam, fico horas lendo e relendo, é maravilhoso!

Uma das maiores dificuldades para quem não tem um grande investidor é o desafio financeiro para levantar a marca, além do desafio da aceitação do público. Hoje sinto cada vez mais o carinho das pessoas pela minha marca e isso me satisfaz demais!

As mídias sociais contribuem para ampliar a visibilidade do seu trabalho? 
Certamente sim! Por eu não ter loja física ainda, devo todo sucesso as mídias sociais. Lanço coleções, campanhas, vendas, tudo por lá. São ferramentas indispensáveis pro meu trabalho!

Você também usa a tecnologia pra desenhar?
Não, eu odeio desenhar no computador, entendo a importância, ainda mais para grandes indústrias, mas EU não faço. Tudo meu é feito a mão, exatamente TUDO.

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Quem deseja trabalhar com moda precisa... 
...entender que trabalhar com moda não é frequentar festas com o último vestido da temporada e segurar uma taça distribuindo sorrisos. Existe esse momento, mas tenho pavor de quem pensa que é só isso. Quem deseja trabalhar com moda precisa antes de qualquer coisa respeitá-la! 

 

Fotos: Divulgação

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