Entrevistas

13 Dez Jackson Araujo

Comunicólogo, especialista em análise de comportamento, consumo de mídia e comunicação, Jackson Araújo atua como consultor criativo e de conteúdo. Já foi fotógrafo, escreveu sobre moda para um jornal e sempre buscou entender a moda além das roupas. 

Idade: 49

Cidade: Natural de Fortaleza, morando em São Paulo há 20 anos

 

Como tudo começou (a quanto tempo e como começou a trabalhar com moda)?

Meu interesse por moda vem da infância. Minha mãe era costureira e eu adorava vê-la criando a modelagem das roupas. Aprendi a ler em revistas de moda, especialmente a revista “Cigarra”, primeira publicação brasileira de moda e comportamento, que minha mãe Ruth colecionava.

No início dos trabalhos com moda fui fotógrafo, nos anos 80, transformando parte da casa dos meus pais em estúdio e laboratório de revelação de filmes PB. Paralelamente, comecei a escrever sobre moda no jornal O Povo, em Fortaleza. Quando me formei em Comunicação Social, em 89, a Moda já era o meu assunto favorito, mas sempre meu interesse foi de entender a moda para além das roupas.

Como é seu ambiente de trabalho?

Meu mundo é mobile, trabalho em esquema home office, posso trabalhar em qualquer local que me permita uma boa conexão de Internet.

Em casa, tenho um escritório em que passo o dia conectado e em reuniões diárias com minha parceira de trabalho, Luca Predabon, que mora em Brasília. Nossa sala de conferências é o Skype.

Um dos grandes segredos desse estilo de trabalho é não fazer do escritório uma pedaço da vida doméstica e sim um local especial. Diariamente, antes de sentar no computador troco de roupa como se fosse para ir a um escritório fora de casa.

Meu ambiente de trabalho tem que ser diariamente criativo, divertido e surpreendente. Todo esforço é válido para que isso aconteça de forma inspiradora.

Como sua personalidade, seu estilo pessoal interfere no seu trabalho?

Como meu trabalho é focado na observação e análise comportamental, é inevitável que meu gosto pessoal esteja em jogo, mas para que o resultado final tenha valor de mercado é importante utilizar meu olhar com um posicionamento distanciado do simples “gosto, não gosto”. O grande desafio é manter-se relevante sem ser egocêntrico.

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Qual sua maior ambição profissional e como ser humano?

Transformar o mundo, ainda que em pequenas doses, a partir da educação e do compartilhamento de conhecimento.

O que é preciso para se criar algo realmente novo?

Primeiro de tudo é entender que o novo envelhece e que para ser duradouro tem que ser relevante, ter fundamento e despertar desejo. Em seguida, estudar o mundo, suas relações e transformações criativas para receber influências, saber filtrá-las e não cair na tentação da cópia. 

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Como você vê o momento atual da moda brasileira?

Em termos de vendas, a moda brasileira está num momento delicado, pois tem que lidar com a política dos preços e impostos, o que dificulta uma maior competitividade mercadológica. Além disso, abrimos as pernas para as grande marcas de luxo, o atual fast fashion global, trazendo uma competitividade quase desleal com a maioria dos produtos feitos no país. Ainda há a invasão chinesa e da Índia, que tem causado grandes danos ao mercado têxtil.

Frente a tudo isso, há dois momentos muito positivos, duas frentes com as quais tenho o prazer de me relacionar profissionalmente: o Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC), na qual atuo como Diretor Criativo, e o SPECOERA, em que colaboro como sound stylist e palestrante, criando atmosferas sonoras para os ambientes expositivos e de desfiles. 

Em ambos, o tom é de entendimento do mercado, de valorização do comportamento, da inovação dos negócios por meio da troca de conhecimento e da busca por novos processos que coloquem a produção de moda brasileira em contato direto com as novas linguagens, garantindo relevância para os lançamentos da indústria.

Acredito que a grande solução para a moda é estimular a criatividade a partir do conhecimento compartilhado: detectar comportamentos, entender os nichos e se especializar na valorização da cultura local para se manter relevante globalmente com produtos inéditos de qualidade. 

 

Fotos: Estúdio com sombras: Douglas Sielski / Wide Studio; Look jeans: Gabriel Cappelletti; Tropical: Theo Carias.

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