Entrevistas

Joana Kretzer Brandenburg 3

A modelo Joana Kretzer fotografou o Editorial Réquiem, para isso ela ficou "artificialmente" careca, mas essa não foi sua única transformação, ela também é cosplayer e está acostumada a encarnar personagens de desenhos animados, quadrinhos e games. Mestranda em Teatro, Joana sempre teve uma vida acadêmica intensa, cursou teatro e desing de produto, por consequência dos estudos também é figurinista, cenógrafa e atriz. Bem-humorada, nesta entrevista, ela nos contou um pouco das suas atividades e planos. 

 

 

Desenvolver várias habilidades é enriquecedor.
 
Como você ingressou na carreira de modelo?
Eu comecei ajudando nos trabalhos de faculdade das meninas da moda da UDESC. Como eu fazia teatro, elas me viam pelos corredores e diziam que precisavam de alguém com mais desenvoltura do que uma modelo, porque às vezes os trabalhos demandavam uma modelo mais performativa. Então, escolher alguém que estudava teatro era mais fácil do que procurar uma modelo com esse perfil e com disponibilidade. Aí um dia uma agência viu as minhas fotos e me convidou para ser modelo.
 
Quais os principais trabalhos que você já fez como modelo e o que mais te marcou?
Alguns marcam com coisas boas, enquanto outros com coisas ruins (risos). Mas em geral os trabalhos que faço para o pessoal que estuda moda são os que gosto bastante, porque sempre tenho que fazer algo diferente e mostrar diferentes lados meus. Num mesmo dia fui Sam, do filme “Ela”, uma diva do minimalismo e um cadáver careca! hahahaha
 

Joana Kretzer Brandenburg 10Joana Kretzer Brandenburg 11
 

O teatro me ajudou na carreira de modelo, pra ficar mais solta e espontânea. 
Você fotografou a coleção Réquiem, conte um pouquinho sobre esse trabalho. 
A Talyta é uma companheira de “chá” no intervalo na faculdade (eu tomo chá sempre, então pra mim não é café XD). Quando ela pensou na caracterização das modelos ela veio conversar comigo pra ver se eu poderia ajudar com as lentes de contato, porque eu também sou cosplayer (me fantasio de personagens de desenhos/quadrinhos/jogos) nas horas vagas. Eu falei sobre alguns lugares onde compro as lentes, os valores e os tempos de entrega, até que um belo dia ela me perguntou “você não fazer as fotos para mim?” e eu aceitei amarradona. No dia das fotos, como eu tenho bastante cabelo, achamos que não iríamos conseguir, mas a Vanessa Neto (a maquiadora leonina maravilhosa) fez um super esquema com gel e deu tudo certo. Nada mais legal para alguém do teatro e que faz cosplay do que se olhar no espelho e ver uma pessoa totalmente diferente.Fotografar também foi muito legal, porque me senti uma marionete seguindo as instruções e posicionando o corpo de forma anormal. É bom quando existe uma direção bacana, que te deixa mais à vontade pra fazer as poses e arriscar outras coisas, porque dependendo da direção você consegue visualizar melhor o que o fotógrafo e o pessoal da produção está pensando sobre a foto.
 
Joana Kretzer Brandenburg 8

 

Você também foi capa da última OCTA Mag e fotografou duas coleções para a revista, além de Réquiem, como foram estes outros trabalhos? 
As fotos das outras duas coleções que fotografei foram feitas um dia antes das de Réquiem, mas como as duas foram feitas a tarde e a de Réquiem de manhã, foi quase como se fosse tudo no mesmo dia. Já as fotos da capa e do Beauty foram feitas em outra ocasião. Isso foi engraçado, esse não foi o primeiro ano que eu participei da OCTA Mag, antes mesmo da revista se transformar no que é hoje eu já tinha fotografado para outras coleções das formandas de Design de Moda. Num desses primeiros dias que eu estava fotografando as coleções desse ano, alguma das formandas virou pra mim e perguntou “que dia você pode fotografar a capa?” e eu “Capa? Como assim?” e foi assim que descobri que eu seria a capa da revista. Pra mim foi um convite especial, porque eu sempre ajudei as meninas, então ser chamada pra ficar nesse lugar de destaque foi um presente incrível. <3
 

Joana Kretzer Brandenburg 4Joana Kretzer Brandenburg 5

Num mesmo dia interpretei Sam (do filme Ela), uma diva do minimalismo e um cadáver careca. 
Você é multifacetada: figurinista, cenógrafa, cosplayer, atriz, artista, conta um pouquinho sobre essas habilidades e atividades. 
Durante um tempo eu vivi um dilema, porque na época que eu entrei na faculdade ainda era possível fazer dois cursos em universidade pública, hoje não pode mais. Eu entrei primeiro no curso de teatro e depois em design de produto. Enquanto fazia as duas faculdades ao mesmo tempo eu ficava dividida, não sabia qual das duas profissões iria seguir, até que começaram a falar em TCC, foi quando eu pensei: “porque não unir meus dois cursos?” Foi aí que entrou a cenografia, quando eu falei que queria começar a trabalhar com cenografia as pessoas me perguntavam “Cenografia? Mas você faz figurino também, né?” Mas isso porque eu sempre tive um modo de me vestir muito diferente, e algumas pessoas sabiam que eu também fazia cosplays. Lembro que, logo no primeiro dia de aula todos achavam que eu era caloura de moda e não do teatro hahaha. Durante um tempo eu quis fugir dessa história do figurino, porque o cosplay pra mim era só um hobbie, assim como o meu modo de me vestir era uma coisa espontânea. Além disso, no design eu fazia produtos e não roupas, mas na prática os limites que separam cenografia e figurino são tênues e não fazia sentido não trabalhar com figurinos. Depois que eu assumi isso, minha visão expandiu, o que me ajudou muito no desenvolvimento da minha pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso, que hoje eu dou continuidade no mestrado. Sobre o cosplay, eu comecei com 15 anos e ao longo do tempo ele foi se transformando pra mim, minhas vivências na faculdade alteraram bastante o modo com que eu via a atividade. Hoje eu consegui encontrar um equilíbrio entre o hobbie e algo que eu consigo ver qualidades artísticas. Eu tenho meu estilo próprio de fazer cosplay, desde a confecção da roupa até como eu gosto de me apresentar com ela, isso foi resultado dessas minhas experiências. Entrei na faculdade para ser atriz, mas depois percebi que isso não era bem o que eu queria, mas eventualmente eu gosto de atuar, participando de projetos à parte e me divertindo atuando no cosplay.
 

Joana Kretzer Brandenburg 6Joana Kretzer Brandenburg 7

 
Ser cosplayer te ajuda na carreira como modelo, por ambos terem uma interpretação?
Então, eu acho o trabalho de modelo algo distinto. Os macetes que aprendo sendo modelo me ajudam bastante para tirar fotos quando estou de cosplay, mas o contrário normalmente não acontece, porque no cosplay não temos a preocupação de estarmos sempre bonitos,  já quando se é modelo até a pior careta tem que ser bonita e agradável. O teatro me ajudou na carreira de modelo para ficar mais solta e espontânea, mas as vezes eu acabo sendo espontânea demais hahahaha. 
 
Quais seus próximos plano e projetos?
Primeiro eu preciso concluir o mestrado, meu projeto é teórico prático, pois tem a ver com cenografia e figurino, então preciso aplicar na prática o que estou pesquisando na teoria, para isso vou montar uma peça de teatro. Paralelo a isso eu tenho vontade de trabalhar com pequenos vídeos, com os meus cosplays e também com outras criações próprias. Outros projetos de figurino que não sejam feitas para uma peça em especial, mas ideias que eu tenho como figurinos medievais ou fotos de Lolita com uma cabeça de ovelha (risos), enfim, tudo o que a minha imaginação permitir XD. 
 
 
Quando fotografamos com uma boa direção, ficamos mais à vontade para fazer as poses e arriscar mais. 

Joana Kretzer Brandenburg 12Joana Kretzer Brandenburg 9

 
 
Fonte: Joana Kretzer
Fotos: Fotos: 1,4,7 e 8 Anna Guimarães; 2 Mauri Cherobin; 3 e 6 Divulgação; 5 Guilherme Dimatos; 9 Andréia + Nathalia Takeuchi; 10 Caio Cézar. 
 
 

Junte-se a outros profissionais criativos e empresas. Cadastre-se grátis!