Entrevistas

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Jorge Ewald tem 23 anos e reside em Florianópolis (SC). É aficionado por imagens e cinema desde a infância. Formado em fotografia na Univali, trabalhou durante três anos como assistente de fotógrafos de moda e publicidade. Seu foco é direcionado para a fotografia de moda. É ele quem assina a fotografia do Editorial White Noise.

Dediquei-me ao desenho na adolescência, com a intenção de me tornar ilustrador e artista.Mas meus desenhos sempre eram inspirados em fotografias, principalmente as de moda.Percebi então, que poderia me expressar melhor com a fotografia. 

Quando surgiu o seu interesse pela fotografia?
Sempre gostei de imagens, desde criança gostava muito de desenhar e de assistir filmes. Quando tinha 10 anos, li em uma revista sobre o estilo de vida de um fotógrafo que viajava o mundo fotografando e ganhava para isso. Isso me deixou fascinado, logo pedi uma câmera para o meu pai. Com o tempo fui tendendo mais para o desenho, mas desisti da ideia depois de me aprofundar no mundo da fotografia. Fiz diversos cursos relacionados à fotografia, e sou graduado em fotografia na Univali. Também trabalhei durante 3 anos como assistente de fotógrafos de moda e publicidade, aprendi muito durante esse tempo, além das técnicas, pude conhecer de perto como funciona o mercado da fotografia de moda e publicidade.

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Quem são os fotógrafos que você tem como referência e por quê?
Minhas maiores referências na fotografia são, Sebastião Salgado, Helmut Newton, Patrick Demarchelier, Irving Penn, Annie Leibovitz, Craig Mcdean, Paolo Roversi, Bruce Weber, Peter Lindbergh,Vincent Peters, David Sims, Steven Meisel. Eles possuem o trabalho bem diferente um do outro, com a composição perfeita e luz belíssima, mantém certo tom de dramaticidade que eu aprecio muito.

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Quais os trabalhos você mais gostou de fazer?
Gosto das fotos que fiz com a temática militar e outro ensaio com estilo siciliano inspirados em filmes italianos. Gosto mais de fazer editoriais, onde posso de fato transmitir minhas ideias e meu olhar. Alguns trabalhos comerciais também permitem isso, mas não com tanta liberdade, pois a fotografia comercial de moda não deixa de ser publicitária e temos que enfatizar o produto.

O universo da moda sempre me chamou a atenção, mas o fato de poder trabalhar criando imagens com muita liberdade de expressão foi o que mais me encantou.

Você já conseguiu imprimir uma característica pessoal ao seu trabalho, algo que o identifique?
Acredito que meu trabalho esteja numa fase de amadurecimento, em meio a tantas pesquisas e referências, acabo admirando estilos variados, em especial o clássico. Mas tenho em mente um novo direcionamento para o meu trabalho, algo que defina realmente o meu estilo. O que percebo e escuto sobre meu trabalho, é que possui uma carga semântica forte. Acho que irei manter essa característica ou até mesmo intensificá-la. Afinal, meu gosto pessoal tende sempre para o lado dramático, tanto em minhas referências de arte quanto aos filmes que assisto.

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P&B ou color? Digital ou analógico?
Adoro trabalhar com cores, gosto de poder planejar a paleta de cores que se encaixe com o projeto. Mas, o poder que o P&B tem é muito forte, destaca a expressão da modelo e com o contraste as formas ficam mais definidas na composição, que faz com que a informação contida naquela imagem seja transmitida de forma instantânea, muitas cores em uma imagem acabam tirando o foco ou deixando a imagem confusa. Então, como observador prefiro imagens em P&B, pois me prendem muito mais a atenção. Em relação ao analógico e o digital, eu vejo muitas diferenças em questões técnicas e aspecto estético, gosto muito de fotografar em analógico, e poder revelar minhas próprias fotos, a experiência com a fotografia analógica é muito mais intensa, isso torna o digital um pouco mais banal. Mas a praticidade que o suporte digital proporciona é algo maravilhoso, para o fluxo de trabalho é essencial. Acredito que uma boa fotografia é resultado de muitos outros fatores que não envolvem equipamento.

O que mais me motiva a fotografar é o prazer de criar imagens, carrego isso comigo desde a infância, não consigo explicar, mas sinto uma alegria imensa em conseguir concretizar o que está em minha mente.

De todos os seus cliques, qual a imagem mais marcante que você já registrou?
A fotografia mais significante para mim é essa que foi feita para o editorial Bomb Shell. Há muito tempo estava com essa imagem na cabeça e esse editorial foi criado apenas com a intenção de obter essa imagem.

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Como foi fotografar o Editorial ‘White Noise’? Conte um pouco sobre o desenvolvimento do trabalho e o envolvimento da equipe.
Foi muito interessante ter trabalhado a temática do silêncio. A parceria com a Glaucia Cechinel na direção criativa fluiu muito bem, fiquei admirado com o tamanho envolvimento da Glaucia com o projeto, ela reuniu um grande volume de material de pesquisa sobre o tema, isso me ajudou muito a conceber as imagens desse editorial. Há tempo eu queria fazer um material minimalista e o silêncio foi uma ótima temática. O dia das fotos, como sempre, foi algo prazeroso para mim, sou muito grato a todos que participaram.

Tenho muitos planos e projetos em vista, um deles é morar em Londres por um tempo, mas o que tenho feito mesmo é planejar mais editoriais para tornar meu portfólio mais consistente.

 


Fonte: jorgeewald.com.br
Fotos: Jorge Ewald
 

 

 

 

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