Entrevistas

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Desde pequena Lane Marinho sempre gostou de trabalhar com as mãos. Autodidata, aperfeiçoou sua arte, cresceu e começou a criar sandálias artesanais. Hoje trabalha cercada por plantas e cores, que a estimulam nas atividades de artista e artesã. Mesmo sabendo usar a tecnologia prefere o contato direto com tecidos, conchas e pedras. Conheça um pouco mais sobre ela e sua arte.

 

 

Levo a vida como se hoje fosse o dia mais importante. Quero me tornar uma pessoa melhor. Projetos são importantes, criar é importante, mas ser uma boa pessoa é a maior contribuição que alguém pode dar para o mundo.

Você é autodidata em arte, como tudo começou?
Eu sempre fui muito curiosa e por isso me acostumei, desde pequena, a experimentar muito, testar formas e ler sobre o que me interessava. Os assuntos "manuais" que gostava, como corte, costura, bordado, colagem, estavam longe do currículo escolar/universitário, mas era a isso que me dedicava no meu tempo livre, ao que sempre gostei de fazer: desenhar, estar rodeada de tintas, linhas e materiais que pudesse manipular e testar.

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Como você seleciona a matéria-prima para criar suas peças?
Eu tenho uma preferência por materiais naturais, como pedras, conchas, tecidos, fios de palha, algodão. Gosto do rústico, simples e colorido. A seleção dos materiais acontece meio que por acaso. São peças que me deparo e penso que podem funcionar quando mixados com outras. Mas muita coisa eu compro ou guardo achando que vai dar certo e fico sem usar por muito tempo. Até que o "par" dela aparece e eu encontro alguma nova situação de uso. Não tem muita regra. A não ser essa predileção pela beleza natural.

Meu ambiente de trabalho é cercado por plantas e cores, coisas que me estimulam. É uma bagunça ordenada, pois sei onde fica cada coisa. Tem sempre testes aqui e ali, de coisas que deram certo ou não.

Você trabalhou durante nove anos com projetos de acessórios para a indústria, como foi essa experiência?
Foi incrível. Era um ritmo muito intenso de desenvolvimento e uma super responsabilidade de resultado, pois precisava vender muito. Aprendi bastante, tive contato com mil tipos de materiais, estive dentro das fábricas aprendendo sobre o processo de construção de um sapato e em contato com pessoas que sabiam muito do assunto. Toda essa experiência foi muito válida pra mim. Só depois de viver tudo isso é que decidi começar algo menor, com outra velocidade. Com ênfase no detalhe e não no volume. Acredito que somos a soma de nossas experiências, por isso, tudo que vivi foi muito enriquecedor pra mim.

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A manufatura é um projeto lento que requer esforço físico e criatividade, como você vê isso?

Digamos que 99% de esforço físico e 1% de criatividade. O trabalho muitas vezes é repetitivo e cansativo, mas quando você quer e sabe que tem que fazer ou não vai existir, você vence a preguiça e faz. É sempre diferente quando “você faz” de quando você “manda fazer”. Somos treinados pelas escolas e universidades para mandar fazer, sem saber como se faz. Isso pra mim é a maior perda criativa que pode existir: se você não sabe como algo é feito (com detalhes), é impossível surpreender com algo realmente novo. Você está limitado a sua leve impressão "de como é feito". Quando você faz, coloca a mão na massa mesmo, aumenta as possibilidades criativas em um milhão de vezes, pois tem a chance de errar e mudar de ideia, caso seu desenho preliminar no papel tenha sido simples e óbvio demais.

Criei um método de medidas, então peço que as clientes enviem uma imagem de seus pés escaneados para garantir que o comprimento vai ficar bom. 

A Casa Marinho cria sapatos sob encomenda, você vê isso como uma tendência?
Eu acredito que logo teremos um consumidor mais consciente em relação ao que compra. Mais exigente. Acho que a febre da “moda rápida” comprada com um clique vai passar de uma hora ou outra. Não acredito que vai desaparecer, pois movimenta um mercado gigantesco, mas acredito sim que pequenas iniciativas em menor escala terão seu espaço.

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Você também faz pinturas a óleo, conte um pouco sobre essa atividade. 
Comecei a pintar faz pouco tempo, em 2012. Sempre tive vontade de unir cores, mas tinha medo de começar. Fiz um curso de desenho no Rio de Janeiro, uma imersão de 40 dias. Quando saí de lá decidi começar, experimentar tinta a óleo. É uma total loucura pra quem gosta de cor. Apaixonante. Tenho tido pouco tempo agora pra experimentar mais, por conta do projeto dos sapatos, mas espero logo poder retomar.

Sinto mais segurança para inovar no universo dos sapatos, por ter maior familiaridade, mas gosto de experimentar em outros meios também, pois me colocam em situações de grande desafio.

Quais são seus sonhos e projetos? O que podemos esperar de Lane Marinho?
Tenho me feito essa mesma pergunta, pois sei que é preciso se reinventar sempre. Ainda não sei exatamente quais os próximos passos dos projetos e vou levando a vida como se hoje fosse o dia mais importante. Sem grandes expectativas do futuro, para não criar ansiedades. A única certeza que tenho é que quero me tornar uma pessoa melhor. Os projetos são importantes, criar é importante, mas ser uma boa pessoa é a maior contribuição que alguém pode dar para o mundo.

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Fotos: Divulgação
Fonte: lanemarinho.com

 

 

 

 

 

 

 

 

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