Entrevistas

13 Dez Luiz Wachelke 2

Luiz Wachelke é sócio e diretor de arte da empresa Vish. Designer gráfico e especialista em marketing de moda e tudo que envolve o processo de criação. Faz ilustrações, cria estampas, atua na produção criativa para produtos e campanhas, além de ministrar workshops e palestras. 

Idade: 29

Cidade: Natural de Florianópolis, com passagem por Londres e São Paulo, radicado no Rio de Janeiro.

 

Me fale um pouco sobre seu background criativo.

A vontade de criar sempre esteve presente, desde cedo. Quando era ainda muito pequeno já perdia horas desenhando. Passei pela fase dos quadrinhos e fui rabiscando até concluir que o que gostaria de fazer o resto da vida era desenhar, projetar, criar. Esse interesse evoluiu junto com os estudos: o que era desenho, virou projeto, virou pesquisa, virou processo criativo e virou moda. Cursei a faculdade de Design Gráfico e logo me atraí para o que considero a parte mais livre e menos corporativa da profissão: a ilustração e a criação de estampas. Passei um tempo em Londres, onde estudei Pesquisa de Tendências e continuei os estudos em São Paulo, onde me aprofundei em Marketing. Nesse meio tempo criei a Vish, com minha sócia Andreia Schmidt Passos, comecei a atuar em projetos para outras marcas e empresas - desde a criação de estampas, até direção criativa para produto e campanhas - e ministrar workshops e palestras. Hoje volto para as salas de aula como professor, ensinando o que aprendi na prática do mercado - dou aulas no Istituto Europeo di Design e na Perestroika.

O que te inspira e como isso reflete no seu processo criativo?

Eu busco inspiração em extremos: nas minhas memórias mais nostálgicas e particulares e nos meu dia a dia mais trivial. Acredito que é essa mistura de inspirações associada a um estilo de vida criativo - estar de olhos muito atentos, sempre se questionando e imergindo fundo nas experiências - que permite um processo de criação rico e instigante. Numa época em que a informação é acessível a todos, é o olhar particular - e peculiar - de cada um que vai render os resultados mais interessantes.

Olho muito para a minha história pessoal. Nasci no sul do Brasil, morei na França quando era pequeno, fui um guri estudioso e quieto que gostava de desenhar. Dessa trajetória, tiro lembranças, perspectivas e sensações que orientam o que crio e o que me inspira. Da mesma maneira, atualmente sigo meus interesses mais instintivos. Me permito assistir as mais variadas séries de televisão - um vício declarado - vou à exposições, pratico esportes. Em meio a esse comportamento cotidiano, tiro outras ideias e percepções. Da junção das duas fontes de inspiração, crio meu repertório, ponto de partida para tudo que crio.

Como funciona seu ambiente de trabalho?

Meu ambiente de trabalho principal é minha casa, minha mesa amarela com vista livre. É lá que desenho, que projeto, que pesquiso, que estudo. Assim como o processo criativo, o ambiente de trabalho não é restrito a um único espaço. Com um computador embaixo do braço, um bloco de papel e pincéis posso estar em qualquer canto trabalhando e criando - desde que a cabeça esteja leve e efervescente.
Eu e a Andreia moramos em cidades diferentes e isso também determinou uma maneira diferente de pensar em ambiente de trabalho. Viagens se tornaram comuns e o local de trabalho se transforma num café, numa casa de um amigo, num parque. Onde nos encontramos, conversamos, refletimos e trabalhamos. É inclusive inspirador, uma das nossas últimas reuniões foi num cemitério. Outra foi numa feira livre.

13 Dez Luiz Wachelke

Qual foi o maior desafio da sua carreira?

Acho que o maior desafio está por vir. Estamos há alguns meses preparando um novo formato de criação para a Vish, motivados por questionamentos que temos já há algum tempo. Como eu e a Andreia mergulhamos no mundo acadêmico - ela está concluindo o mestrado na USP e é a coordenadora da pós-graduação em Fashion Marketing do IED São Paulo - nossas conversas ganharam novos tópicos, novas ideias, novos pontos de vista. Esse novo olhar refletiu no que pensamos sobre o que queremos criar e como criamos. Sempre fomos de botar a mão na massa e vamos implementar em breve esses questionamentos na Vish. Será uma verdadeira revolução na nossa maneira de trabalhar e criar. Agora é aguardar alguns meses e ver como tudo transcorre, mas já antevejo o desafio com vontade de enfrentá-lo!

Como você enxerga seu futuro?

O futuro será diferente. Aos poucos percebemos que as carreiras tradicionais de um década atrás não fazem mais muito sentido - especialmente nas áreas criativas. Um diploma não garante mais um bom emprego ou mesmo um bom desempenho profissional, mais vale o olhar, a postura, a vivência e a vontade de fazer algo interessante. Por isso imagino que meu futuro será incerto - e isso não é um problema. Sei que estarei criando, seja o que for.

Em paralelo, imagino que a Moda vai passar por boas mudanças, no sentido de mercado e de criação. As pessoas parecem estar um pouco cansadas desse ritmo doido - e eu também. Não tenho desejo em renovar o guarda roupa a cada ano e me interesso por cada vez menos coisas - mas quando me interesso, valorizo mais. Isso com certeza vai refletir em como nos vestimos e como vamos adquirir nossas roupas. "Consumir" moda ficou chato. 

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Fotos: Hugo Toni

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