Entrevistas

MARINA THAIS

A jovem designer de moda, catarinense de Gaspar, Marina Thais, teve seus desenhos selecionados, dentre centenas de inscritos, pelo júri do concurso Fashion Cult, do clube da Ferrari, ‘Scuderia Ferrari Club Roma Colosseo’. Marina irá disputar a semi-final, com designers do Marrocos, Croácia, Letônia, Israel, Áustria e Itália, em um desfile, na cidade de Roma no dia 16 de Junho.

O design de moda é um meio para instigar as mentes criativas, a se expressar e representar de forma espontânea, uma causa, um estilo, um estado de espírito, ajudando a fomentar cultura e história, através das roupas. 

Você foi selecionada entre tantos para o Fashion Cult. O que é o evento e como foi o processo seletivo?

A intenção do concurso Fashion /cult é lançar jovens estilistas, emergentes do cenário internacional e proporcionar uma oportunidade para trocar experiências criativas. Os prêmios estão divididos do primeiro ao sexto lugar, entre quantia em dinheiro, publicação dos “looks” em revista internacional de moda, estágio de três meses em uma empresa de moda italiana e a associação ao Clube Ferrari.

Fiquei sabendo do concurso por um professor da UDESC, o Lucas Rosa, que compartilhou o link para os alunos. Para o processo seletivo, inscrevi sketches inspirados no tema Ferrari e conectei com a coleção que já havia desenvolvido na minha tese de bacharel. O concurso tem 4 categorias, esportiva, prêt-à-porter, malharia e moda praia, abrangendo menswear e womenswear, me inscrevi em duas linhas, malharia e esportiva, para homens.

Como você analisa o mercado masculino no Brasil?

É um mercado que analiso há tempo, escolhi o segmento masculino exatamente por causa da evolução rápida deste mercado. Acredito que a visão e atitude do mundo, sobre masculinidade, está mudando rapidamente, o que provoca uma abertura no mercado de moda masculino. Os cuidados com estética, corpo, imagem e estilo, não são mais, apenas aceitos pela sociedade, mas viraram desejo e necessidade. Esse crescimento já é muito expressivo em países como os Estados Unidos. Dados de análises de cinco anos até hoje sobre o consumo de moda, nos Estatos Unidos, mostram números tão expressivos, que o consumo masculino, chegou a ultrapassar o feminino. No Brasil esta mudança também acontece e está cada vez mais visível, principalmente na geração “Z”, que já nasceu na era digital com uma visão aberta que se preocupa com estilo, beleza, sem restrições sobre conceitos estéticos de gênero. Mas a vontade de consumir vai além de um produto de moda. Uma marca precisa ter seu traço autoral e uma identidade definida. A forma de consumo também mudou, isto já é muito visível no e-commerce e marcas recentes, que proporcionam ao cliente uma experiência nova de consumo e fidelização.

Como foi feita a escolha dos tecidos? 

Gosto de trabalhar principalmente com malharia, mas de uma forma mais requintada, é uma preferência bem particular. Acho interessante misturar com materiais alternativos, nesta coleção do concurso utilizei também o Tyvek® da DuPont™ usado normalmente para área de construção e gráfica. Se destaca por ser 100% reciclável, durável, feito de polietileno, surpreende por sua alta resistência, mas com aparência e flexibilidade de um papel sensível, com textura de tecido. Outro item é que sempre guardo todos os retalhos dos cortes das minhas coleções para aproveitar em outras peças. Destes pedaços sempre surgem as peças mais bacanas, meus professores de costura não gostavam tanto disso, mas proporciona exclusividade para o produto, ele se torna mais exclusivo e estes pedaços me influenciam para criar de uma forma mais intuitiva e é uma "trend" no mercado de moda, chamada "zero waste".

MARINA THAIS2

Como foi sua experiência com o design de moda quando você morou e estudou fora do país?

Sou recém-formada em Bacharel em Design de Moda pela Udesc, Universidade do Estado de Santa Catarina, a qual proporcionou pela média acadêmica, uma bolsa de intercambio de estudos em uma das melhores Universidades da Escandinávia, ‘The Swedish School of Textiles”, onde tive a oportunidade de aprender novas metodologias de criação para desenvolver uma coleção. O centro têxtil da universidade é incrível, são 3 andares de maquinários de ponta, vários laboratórios, de estamparia, malharia, teares, máquinas diferentes, como uma que faz tecido com fio de metal e outras que fazem roupas sem costura. Indico para todos os colegas da Moda que tiverem essa oportunidade, vale muito conhecer, eles tem cursos de Design Têxtil, Moda, Administração de Moda, Engenharia têxtil e as aulas são lecionadas em inglês. 

O mais importante foi aprender a criar de uma forma mais espontânea, buscando novos materiais, misturando segmentos, trabalhando direto com o tecido, costurando e experimentando formas.

Como é a recepção do mercado de trabalho para o designer recém-formado?

Depende muito do objetivo na carreira. Fiz um simples curso técnico de Estilismo no Senai Blumenau com 17 anos que me ajudou a me inserir no mercado e também a me interessar em conhecer as Universidades de Moda de SC. No tempo de estudante trabalhei como ficha técnica, designer de estampas e vários outros trabalhos pequenos ligados a moda, não é nada fácil, mas tudo muito válido. Agora, minha intenção é ter mais visibilidade através dos concursos internacionais de moda, tem muitos, vivo procurando, pois vale muito a pena participar. Isso amplia as oportunidades de trabalho, meu objetivo é buscar experiências fora do país, mas sempre pensando em voltar para o Brasil. Nesses dias recebi um e-mail com uma empresa da Croácia, interessada no meu trabalho, fiquei feliz que o concurso ajudou a me inserir no mercado.

Durante a formação acadêmica qual foi o aprendizado mais importante para você?

Escolhi a Udesc pois o curso de Moda foca bastante na parte artística e instiga o lado criativo do estudante, ajudando a encontrar uma traço bem particular e mais autêntico. O mais importante foi aprender a criar de uma forma mais espontânea, buscando novos materiais, misturando segmentos, trabalhando direto com o tecido, costurando e experimentando formas.

Coleção FRACTAL

Conte um pouco sobre o desenvolvimento da coleção.

Como o tema é Ferrari, usei dois tons de vermelho na coleção, cor que geralmente não costumo trabalhar, mas gosto muito de desafios e a composição deu certo, principalmente porque o vermelho é uma tendência, em diferentes tons. Outra cor dominante é o branco, inserido em dois tons. Elementos como as alças de mochilas, são usados como aviamentos, inseridos em várias partes das superfícies das roupas continuamente, representam cintos de segurança automotivos. São apenas dois looks, um é da minha coleção de formatura e o outro, costurei no ateliê da professora Harumi.  

Quais os seus próximos projetos e planos?

Pretendo um dia, abrir minha própria marca. Claro que já planejo ela há um tempo. Tenho projetos com grandes causas para esse marca, não vai apenas, visar as vendas, quero inserir causas sociais e educativas nela, alem de claro, proporcionar diferentes experiências e parcerias para quem a consome. 

Para entender cada vez mais o público, e também inserir mais informação de moda ao público masculino, criei um guia de estilo, o @menstyle2br. Mas não é um grande foco no meu dia-a-dia. Apenas vou postando o que acho, navegando pelas redes sociais, as fotos não são minhas, sempre procuro colocar as referências. 
 

Fotos: Ester Mendes

 
 
 

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