Entrevistas

Andreia Nathalia10

Paula e Germana são co-fundadoras do Coletivo Volver, onde desenvolvem trabalhos de design, direção de arte e moda. Paula é arquiteta e Germana é designer de moda, a dupla dirigiu o editorial "Nímia" e agora conta um pouco sobre essa e outras experiências profissionais. 

 

Neste editorial, queríamos que ficasse clara a ideia de acumulação e excesso decorrentes do consumismo, do consumo como resposta às frustrações da vida real. 

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Qual a opinião de vocês sobre o momento atual da moda brasileira?
A moda brasileira parece passar por um momento bastante prolífico, em que buscamos valorizar mais o local ao invés de olhar para fora em busca de referências, o que achamos ser indispensável para criar coisas únicas e com identidade. Em nossos trabalhos, buscamos nos desvincular de termos como tendência, coleções, etc. Buscamos criar algo atemporal e que realmente tenha a ver com o que acreditamos e somos.

Como é o processo criativo de vocês?

Tanto nas direções de arte para filmes como para editoriais de moda começamos a partir de painéis imagéticos, nos quais buscamos traduzir o conceito com referências múltiplas, que podem ser de moda, cinema, fotografias, pinturas, etc. Na etapa seguinte discutimos para definirmos um foco e a partir daí, fazer uma pesquisa incisiva sobre o tema que irá nos nortear. Só depois que o conceito está bem definido e maduro é que partimos para a criação, planejamento e execução do projeto.

Não cabe a nós dizer qual o papel de um profissional na sociedade, porque acreditamos que cabe a cada um descobrir o seu lugar, fazendo o que ama e acredita.

Como acontece a construção do conceito na imagem de moda?
A imagem de moda é uma mensagem construída através de signos, definidos a partir de um conceito, que deve ser compreendido e traduzido em códigos capazes de trazer sentido através de um estímulo visual, que é a imagem. O trabalho do diretor de arte na construção dessa imagem é contextualizar e interpretar o conceito ou ideia através de pesquisas, inspirações e referências para então traduzi-lo visualmente de maneira que seja consistente e legível.

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Tem algum filme com direção de arte inspiradora que vocês tomam como referência?

Adoramos os filmes do Xavier Dolan e do Michel Gondry, onde em ambos a direção de arte nos transporta de maneira muito poética para o universo das personagens. Também nos encanta o cuidado presente na direção de arte dos filmes do Wim Wenders, onde as cores, objetos e locações se tornam quase que protagonistas da narrativa. Ao mesmo tempo, a estética crua e minimalista de diretores como Tarkovsky e Igmar Bergmann, nos agradam bastante por sua sutileza e dramaticidade.

Quais as referências utilizadas na direção deste Editorial?
Nosso ponto de partida foi uma reflexão em grupo sobre consumismo, padronização e acumulação. A partir disso, a primeira referência estética que nos veio à mente foi o desfile de Inverno 2010 da dupla Viktor & Rolf, em que a modelo começa o desfile com diversas camadas de roupas que dão origem a diferentes looks na passarela. Neste Editorial, queríamos que ficasse clara a ideia de acumulação e excesso decorrentes do consumismo, do consumo como resposta às frustrações da vida real. A deformação a partir das inúmeras camadas de roupa aparece como um questionamento sobre o modo como produzimos e consumimos hoje. Precisamos realmente de todas as roupas que temos no guarda-roupa? Onde iremos parar se a moda insistir na lógica do must-have? Assim, o Editorial começa com uma atmosfera mais sombria e pesada, em que a modelo se encontra vestindo uma sobreposição exagerada de peças de roupas e ao se livrar gradativamente de cada uma delas, é como se ela se livrasse também de todo o peso do consumo, até alcançar de certa forma, a liberdade, em uma atmosfera leve e suave.

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Fotos: Divulgação
Fonte: www.an-takeuchi.com

 

 

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