Entrevistas

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Raquel explorou todas as oportunidades que apareceram para fortalecer seu portfólio e recentemente lançou a Austral, sua marca de acessórios, com design minimalista. "A Austral nasceu da vontade  de traduzir um design minimalista em acessórios, buscando um equilíbrio entre essa estética e as inspirações de cada coleção. Com uma identidade única, apostamos na filosofia de que "menos é mais" para um público que busca originalidade e autenticidade". 

Me identifico muito com o minimalismo e foi natural criar peças com essa estética. Quis colocar minha visão de mundo na marca.

Conte um pouco sobre o seu novo projeto e sua trajetória na moda.
A minha trajetória na moda é muito recente. Me formei neste ano no curso de Design de Moda da UDESC, que me oportunizou fazer um intercâmbio em Buenos Aires, em 2011. Foi nesse intercâmbio que comecei a entrar em contato com os acessórios, fiz um curso de ourivesaria e vi que era isso que eu gostaria de fazer em minha carreira profissional. Quando voltei para Florianópolis, fiz um estágio de um ano na Parco Design, foi maravilhoso e aprendi muito sobre essa área. No meu último ano na universidade, fiz o trabalho de conclusão do curso procurando agregar todos os campos que eu gostava de trabalhar: ilustração, modelagem e acessórios. A vontade de ter minha própria marca cresceu muito com esse trabalho. Comecei a desenvolver nele a imagem da marca que eu gostaria e o minimalismo era obrigatório. Decidi voltar para Curitiba, onde fui criada, e estabeleci a Austral aqui. Passei o ano desenvolvendo a identidade da marca e a primeira coleção, que foi inspirada nos Andes, assim como a própria marca.

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Os acessórios são cortados a laser e manualmente, quais as vantagens e desvantagens em cada um dos processos?
Eu vejo muitas vantagens nos dois processos. No corte a laser você pode contar com uma produção industrial, o tempo de produção é rápido e a precisão do corte é muito boa. Na produção manual você leva um pouco mais de tempo para produzir cada peça, a produção é mais limitada, porém cada peça é única e produzida com o mesmo processo da ourivesaria, o que agrega valor a cada acessório. Eu não quis deixar o processo manual de fora, gosto muito de colocar a "mão na massa", é terapêutico e faz parte do meu processo de criação.

Me apaixonei pelos Andes e com a Austral procurei fazer uma espécie de homenagem ao nosso continente, que é muito rico em cultura e natureza. Merece ser descoberto! 

O conceito da marca envolve uma atmosfera andina e paisagens nevadas. Por que você procurou focar nesses aspectos e como espera que o consumidor se identifique com essa estética?
Eu tenho uma certa paixão por lugares monumentais, fico emocionada. Foi o que aconteceu quando tive contato com a Cordilheira dos Andes pela primeira vez, em 2006. Fiz uma viagem de carro para o Chile, com a minha família e fiquei muito surpresa com as paisagens. Me apaixonei! É como se os Andes fizessem parte de mim, virou uma espécie de refúgio espiritual. Foi natural encontrar essas paisagens como mote para construir a Austral, uma espécie de homenagem para o nosso continente. Eu espero transmitir esse sentimento para o consumidor, fazer ele se emocionar junto, se apaixonar pela América do Sul. Temos um continente muito rico em cultura e natureza, ele merece ser descoberto.

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Quais suas principais fontes de referência no design brasileiro e onde você busca inspiração?
Na área de acessórios, eu gosto muito das coleções da H.Stern e do joalheiro Antonio Bernardo. Eles costumam trabalhar bastante com o minimalismo, possuem uma identidade forte própria e um design autoral muito bom. Eu amo usar o Pinterest para buscar novas referências. Dá para conhecer milhares de novos designers e de outros países lá, é inspirador e viciante.

Quais os três itens essenciais para que você possa criar?
A primeira coisa é ter um tema, como mote para o produto ou uma coleção. Depois, eu preciso me rodear de coisas inspiradoras, como exposições, cinema, música e internet. Procrastinar um pouco nesse meio tempo faz parte do meu processo de criação, para assimilar todas as referências e fechar o projeto na minha cabeça. Quando está tudo redondo passo o plano para o papel e começo a confeccionar os protótipos das peças.

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Qual a maior dificuldade que você encontrou ao lançar uma marca própria?
A maior dificuldade é começar sozinha. Tenho o apoio da minha família e meus amigos, mas tudo tem que sair de mim, desde o desenvolvimento e produção da coleção, a administração da marca e até a divulgação. Você precisa cumprir todos os papéis de uma empresa. Acho que todo mundo que começa uma empresa pequena se depara com isso. É desafiador, mas é também satisfatório, sinto que estou crescendo junto com a marca.

Num país marcado pela diversidade cultural, exuberâncias e cores, como você imagina um minimalismo que possua uma estética de identidade "brasileira"?
Acredito que o Brasil já possua uma identidade própria no campo do design, fugindo do tropicalismo. O nosso minimalismo não possui a mesma frieza e pureza das formas que vemos em outros países. Nós conseguimos agregar as cores, estampas e fazer uma modelagem diferenciada, sem que saia dessa estética. Temos uma diversidade cultural maravilhosa no país, é evidente como ela nos torna mais criativos e abertos para inovações.

Se você acredita e gosta do que está fazendo, não desista. Tenha persistência em seus projetos e leve-os até o fim, mesmo que a jornada seja árdua. O resultado será recompensador.​

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Fonte: Austral
Fotos: Divulgação 

 

 

 

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