Entrevistas

Ratoroi Flavia Andre

A Ratorói desenvolveu um produto inovador, feito através da reciclagem de plástico. O material, flexível e impermeável, pode ser usado tanto na moda quanto no design. O estúdio é formado por quatro pessoas, cada uma com sua expertise e vontade de sempre fazer o melhor. A marca tem participado de diversos eventos e recebido grande aceitação do público. Flávia e André contaram ao Exib.me um pouquinho mais sobre a Ratorói. 

Uma inovação da hora que é criada até chegar ao mercado tem um tempo grande para tudo evoluir. Saber esperar o tempo certo e maturar tudo foi sem dúvida a parte mais difícil.

Como surgiu a Ratorói e quem participa deste projeto?
A RatoRói começou com muita inventividade, vontade e pesquisa, em 2009. Sempre aliando técnica, criatividade e desenvolvimento científico. Desde o início, estudando as possibilidades de aplicação do plástico pós-consumo, encontramos uma série de processos produtivos, fornecedores e grupos de trabalho dispostos a interagir e criar parcerias com empresas de médio e grande porte, dispostas a dialogar com ações de comunicação estratégica que encontram na inovação e na sustentabilidade um valor comum. Hoje trabalhamos em parceria com uma associação de recicladores do Vale do Itapocu, com a UNISOL, a ASSOCIESC e com o Sebrae. O estúdio é formado por quatro pessoas, cada uma com sua expertise e vontade de sempre fazer o melhor.

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O processo pelo qual o plástico passa é o mesmo para os produtos de moda e design?
Como metodologia de pesquisa podemos dizer que sim, pois durante o processo os plásticos reciclados são simplesmente cortados e transformados em pedaços, para que depois com o calor e uma certa pressão eles são moldados. Nada é adicionado durante a “modelagem” – exceto o calor que é necessário – e há pouquíssimo desperdício, se houver. O processo é muito mais simples, gasta pouca água e energia, se comparado com outros processos de transformação. Todo o processo demora entre 15 minutos a duas horas, dependendo da espessura da folha e quantidade que será produzida. Como benefícios, há a produção de inovação, minimização de resíduos (diminuição de volume) e a transformação da ideia que temos de matéria-prima.

Participar da Casa Cor Santa Catarina 2014 foi super bacana, graças a essa participação conseguimos inscrever o trabalho no prêmio D.Catarina, onde fomos premiados na categoria design de superfícies.

Como funciona a parceria com a Associação de Recicladores do Vale do Itapocu?
Eles fazem a triagem e fornecem o material para nós transformarmos. O trabalho deles, sem sombra de dúvida, é o mais importante de todo o processo. Eles são agentes ambientais, microempresários, médios e grandes empresários dessa nova economia, uma economia inteligente e sustentável. Reconhecemos isso e nos importamos bastante, por conta disso pagamos cerca de 20% a mais do valor de mercado. Desde o início, acompanhamos de perto todo o processo de separação e triagem. Além disso, sempre acompanhamos o presidente da Associação em seu trabalho diário de orientação a outros catadores e recicladores não associados para que alcancem melhores resultados e uma renda mais digna. 

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É comum atribuir a promoção da sustentabilidade ao poder público, quando na verdade deve ser uma preocupação de todos. Vocês acreditam que essa consciência já está chegando aos outros setores da sociedade? 
A sustentabilidade deve ser uma atitude de todos nós e em nossas diversas organizações, contudo o poder público deve ser o primeiro e o mais forte a promover isso, pois entendemos o poder público com instância máxima da sociedade para a sua organização coletiva e participativa. É através do Estado que se constituem políticas públicas capazes de ter um efeito global em sociedade (o que é extramente necessário atualmente). Entretanto, todos têm o dever de pensar e atuar sustentavelmente. Afinal, compartilhamos a mesma somos responsáveis por ela. A atuação em rede é essencial neste processo e a Ratorói tem participado e desenvolvido algumas destas redes a partir de suas relações, atuando inclusivamente junto ao poder público para que as ações em que acreditamos possam se transformar em políticas públicas que garantam direitos. 

Como o público avalia a inovação apresentada pela Ratorói nos eventos em que vocês participam? 
Temos participado com frequência de oficinas e palestras, além de feiras comerciais. Em todos esses momentos e outros que falamos sobre o processo e trabalho, sempre colhemos sorrisos e outras gentilezas. A nossa proposta é muito boa, mas trabalhar com inovação atrelada a sustentabilidade é muito complicado e difícil, por inúmeras razões. Felizmente, todos esses sorrisos e feedbacks nos orientam e nos fazem perceber que o trabalho está correto e que devemos seguir em frente.

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Como é o processo criativo de vocês? Como surge a transformação da matéria em produtos? 
Nesse momento, estamos trabalhando apenas com a transformação dos plásticos na 'ecomatéria' para as lógicas criativas de outros designers e indústrias. Assim, mantemos abertas infinitas possibilidades e parcerias.

O ambiente de trabalho na Ratorói é aberto, onde interagimos com tudo e todos o tempo inteiro. É um espaço que gostamos de compartilhar com nossos clientes e amigos com muita música, café, arte, ideias e inovação. Com a colaboração de todos ele fica cada dia mais bonito.

Qual mensagem a Ratorói deseja compartilhar com os leitores do Exib.me?
Todo mundo tem ideias. Todo mundo tem grandes ideias. A diferença está em quem decide concretizá-las e isso envolve um intenso trabalho. Se você tiver uma ideia, faça-a acontecer. Gostamos muito do Charles Watson, um especialista em criatividade que diz que quando você é passionalmente envolvido com o que faz, não sente que as suas horas de investigação são um sacrifício, você quer estar no lugar que traz mais significado para você. E o produto que surge não é a sua meta, a sua meta é estar fazendo o que te traz significado. O produto acaba decorrendo disso. É o que se chama de atividade autotélica, cujo significado está nela mesma.


Fonte: Ratorói
Fotos: Divulgação

 

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