Entrevistas

Weider Silveiro 2

O piauiense, radicado em São Paulo, Weider Silveiro é dos estilistas da Casa de Criadores, o maior evento de novos estilistas da moda brasileira. No seu último desfile Weider buscou inspiração na tribo Mapuche, que vive na região de Temuco, no Chile. O estilista estudou a indumentária, ornamentos e costumes do povo local e partiu dos tecidos feitos em tear manual até chegar ao trabalho em prata. Ao final da entrevista um vídeo apresenta esta coleção: Verão 2016, com acessórios da designer Carina Unfer. Uma das principais características de Weider Silveiro é o minimalismo, mas ele mostra que também sabe ser autêntico e imprimir novos estilos. 

 

Aprenda e valorize o trabalho em grupo, isso é determinante hoje: saber dividir tarefas e méritos.
 
Sua avó era costureira, essa foi sua primeira influência para trabalhar com moda? 
Sim, minha vó era uma costureira muito boa e requisitada, além de ser um ícone de elegância!  Muito simples, ela poderia ser uma musa do movimento minimalista nos dias de hoje. Com ela aprendi a apreciar as coisas feitas com apuro. Ela foi sem dúvida minha primeira influência! Comecei observando-a e palpitando em tudo, depois da adolescência procurei me profissionalizar, foi quando ingressei no mercado de trabalho, como vendedor e comprador numa loja multimarcas, isso nos anos 90.
 

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Onde você busca inspiração? Quem são suas referências profissionais?
Minha inspiração vem de tudo, música, arte, cinema e a própria moda. Minhas referências nesse meio são: Balenciaga, Vionnet, Madame Grès e a escola belga.

Como você ingressou na Casa de Criadores e o que isso representa para sua carreira?
Entrei na Casa de Criadores em 2006, quando ainda era assistente do Walter Rodrigues. A Casa representa pra mim um grande laboratório de ideias, além disso, o formato dela permite qualquer experimentação.
 
Quais os maiores desafios que você enfrentou para lançar sua marca própria? 
Criar e manter uma marca autoral no Brasil é uma tarefa muito difícil, porque atualmente não contamos com incentivo da indústria local, por casa da crise. Então, poucos sobrevivem da sua própria marca, eu por exemplo, trabalho em outra empresa pra financiar meu sonho. Sempre pensando na Weider Silveiro a longo prazo, ela é a menina dos meus olhos, um trabalho que nasceu ainda na faculdade e quero que vá cada vez mais longe. 
 

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Como você vê o mercado de moda brasileiro?
O mercado de moda, como todos os outros setores da economia, passa por uma crise sem precedentes. Então, se estabelecer nesse momento é uma tarefa difícil, mas penso que nada substitui a invenção. Creio que ela nos salvará dessa massificação galopante do fast fashion de agora. 

Qual a sua percepção sobre as plataformas digitais para o mercado de moda?
Sobre plataformas digitais acredito que elas complementam a experiência de compra, contudo não substituem a carga sensorial que existe nas compras feitas em lojas físicas.
 
Você tem alguma dica ou sugestão para quem está ingressando no mercado de moda?
Para quem está começando, sugiro que aprenda e valorize o trabalho em grupo, isso ė determinante hoje: saber dividir tarefas e méritos.
 

Trabalhar com criação é lidar com seu próprio universo, que este está sempre a mercê da apreciação alheia e nem sempre isso é confortável, mas é possível!
 

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Fonte: Weider Silveiro
Fotos: Divulgação 
 
 
 
 

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