Entrevistas

Tac Films Diego Lara 5

Diego é roteirista e diretor de conteúdo na Tac Filmes. Formado em Jornalismo e pós-Graduado em Design e Estratégias Corporativas, pela Univali, ele atua na área cinematográfica há mais de dez anos. Ilustrador e amante da produção de documentários, Diego estudou roteiro em Cuba, rodou o mundo em busca de inspiração e novas ideias e, atuando na formação de novos talentos no cinema catarinense, foi professor universitário durante três anos. Já dirigiu dezenas de documentários, séries e curtas exibidos em festivais, países e emissoras reconhecidas nacionalmente.

 

Trabalhar com criatividade é não trabalhar. É viver e conseguir tocar o mundo com quem você é.
Este ano a Tac Films completa 10 anos contando boas histórias, como tudo começou e por onde passou? 
Então, ontem mesmo estávamos conversando sobre como o tempo passa voando quando você está se divertindo. Começamos a TAC meio que sem perspectivas, quase como uma resposta ao fato de, na época, não termos muita certeza do que queríamos como profissionais. Eu e o Flavio só sabíamos que queríamos trabalhar com cinema e que – infelizmente – essas vagas não existiam no mercado local. A nossa solução foi criar uma empresa e criar possibilidades de contar nossas próprias historias e, com muito esforço e uma colher de sorte o negócio deu certo. Nesses dez anos já rodamos quase duas dúzias de curtas, longas, séries de TV, documentários e projetos extremamente experimentais e atualmente estamos trabalhamos em diversos projetos.
 
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Conte sobre a filmografia da Tac Films, o que mais se destacou, seja durante as gravações, em festivais ou na TV. O que vocês mais gostaram de fazer?
Nossa filmografia tem uma cara super variada, mas ao mesmo tempo os projetos dialogam muito entre si. São filmes autorais, com uma pegada social e histórica que valorizam as ações de indivíduos ou grupos culturais em suas buscas por auto conhecimento e valorização cultural. Ao longo dos anos os projetos tomaram uma cara cada vez mais artística, mas sempre com foco no publico e em novos formatos narrativos. Um exemplo disso foi a série “Dez Ilhas e um Mundo”, rodada no arquipélago  dos Açores para a Globo/RBS TV e lançada nas ilhas açorianas em uma turnê realizada em 2013. A série foi uma loucura, desde a sua produção até o seu resultado final, misturando animação, road movie e documentário de realidade, conseguimos criar um dos projetos que eu mais me orgulho de ter feito. Uma coisa legal que a Tac Filmes adotou recentemente é que agora a casa trabalha com diversos diretores e diretoras, criando uma cara diferente para cada projeto. Isso dá muito mais força para o portifolio da empresa. Filmes como os documentários “Família no Papel” (Fernanda Friedrich e Bruna Wagner - 2012) e “Restrito” (Diego Lara 2013) são projetos que tiveram um grande sucesso comercial e de critica, superando em muito as nossas perspectivas.
 
 

 

A Tac é catarinense, mas parece que é mais conhecida fora de Santa Catarina. É assim mesmo? Como é pra vocês?
Não sei se concordo com essa afirmação. Na verdade nunca me preocupei muito em ser reconhecido ou ter meu trabalho concorrendo a prêmios e afins. Sempre tive uma perspectiva muito mais focada em realizar, do que em colher os resultados. Isso é legal e tira o peso da responsabilidade de sempre ter que ter bons resultados e criticas. Mas compreendo que o Estado e cidade em que vivemos acabam por achar as coisas que vem de fora infinitamente melhor do que é produzido aqui. Ao meu ver, as noções de “fama” e “reconhecimento” são meio distorcidas nessas paragens do sul do mundo.
 
Sempre tive uma perspectiva muito mais focada em realizar, do que em colher os resultados. 
Restrito é um documentário que conta um pouquinho sobre a história da Praia do Atalaia e abriu a praia para Portugal, Espanha, Estado Unidos. Como foi a repercussão desse projeto?
O Restrito foi e não foi uma grande surpresa. Explico: fizemos um projeto pensando grande, focados em licenciar o filme para emissoras e distribuir em festivais. Esse era o plano. Mas na verdade ele acabou superando nossas expectativas e virando uma sensação por seu assunto contraditório  (o localismo da praia da Atalaia) e por retratar um tema tão mistificado no surf mundial. Ele foi exibido em dez festivais ao redor do mundo e licenciado para o Canal Off.
 
 
 

Muito se fala sobre uma “nova forma de fazer cinema”. Vocês acreditam que existe uma nova fórmula ou o melhor mesmo é recorrer ao estilo tradicional, adaptado às novas tecnologias?  
Eu não acredito em nada que vem com essa alcunha de “nova forma de fazer” alguma coisa. Cinema é contar histórias. Mesmo que mudem as câmeras, as ilhas de edição e as tecnologias para a realização, a essência, o dialogo e o roteiro, estão ali e permanecem quase que imutáveis em relação ao tempo, refletindo os dramas e os conflitos de cada uma das gerações.
 
Cinema é contar histórias. Mesmo que mudem as câmeras, as ilhas de edição e as tecnologias para a realização. 
Quais os planos da Tac para este ano? Vocês estão trabalhando em projetos na Holanda e Maranhão, é isso?
Sim, a convite do Governo dos Açores estamos rodando o documentário “Nos Baixos do Maranhão”, que vai ter cenas rodadas na Holanda, Maranhão e Açores. O filme vai estrear em meados de maio no arquipélago açoriano. “Nos Baixos do Maranhão” realiza um resgate histórico cultural da colonização açoriana no estado do Maranhão, no Nordeste Brasileiro. Um dos primeiros destinos dos açorianos, ainda no começo do século XVII, o estado ainda preserva diversas tradições de seus antepassados. O documentário irá realizar uma exploração deste universo, mostrando as diferenças e semelhanças entre estes dois povos.
 
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Você também é ilustrador, já expôs fora do Brasil, como está a atividade nessa área?
Eu tenho um projeto chamado “Projetodiego” onde descompromissadamente eu crio ilustrações e artes que refletem coisas que eu curto e admiro. Depois de algumas exposições solo, salões nacionais de arte e exposições coletivas, dei uma parada e atualmente tenho me dedicado mais como hobby do que como um “compromisso” real. Meus desenhos acamaram em coleções particulares na Argentina, Estados Unidos, Canadá e em alguns países da Europa.
 

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Fonte: Tac Filmes
Fotos: Divulgação 
 
 
 
 
 
 

 

 

 
 

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