Entrevistas

Rafael Lucien Perfil

O diretor de fotografia Rafael Lucien contou ao Exib.me como ingressou na fotografia e quais suas principais influências e inspirações. Atualmente ele mora em Vancouver, no Canadá, um momento desafiador em sua carreira.  

Idade: 25

Cidade: São Paulo, morando atualmente em Vancouver - Canadá.

O que te inspira? 

Sou um grande fã de trabalhos experimentais e tecnologia. Tudo que envolve uma produção experimental, de baixo orçamento e que envolva novas tecnologias me inspira.

Como tudo começou? Como começou seu trabalho como diretor de fotografia? 

Comecei a trabalhar com direção de fotografia enquanto trabalhava com iluminação para animação 3D. Na época eu era diretor da escola Melies de animação, junto com um pessoal de lá comecei a produzir e experimentar algumas formas viáveis para a produção de curtas metragens.

Quais são suas influências? Onde você busca inspiração? 

Sou formado em fotografia (still), então a maior parte da minha inspiração vem do mundo da fotografia. Ficaria difícil de nomear todos os fotógrafos que considero como inspiração, pois existem muitos nomes aí no meio, mas com certeza um que se destaca na minha lista é o do fotografo Joey Lawrence.

Como sua personalidade, seu estilo pessoal interfere no seu processo criativo? 

Acredito que se você faz o que você ama, seu estilo e personalidade estão completamente aplicados no seu trabalho. Sempre que produzimos esses curta-metragens fizemos com grande força de vontade, na grande maioria das vezes investimos do próprio bolso para que virasse verdade. Durante a produções sempre reúno a equipe toda, geralmente pequena, para acertar os ponteiros e criar um material sólido e com uma unidade. Cinema não é um estilo de arte que só privilegia um artista, todos tem que funcionar para o bem do filme. Por isso, a adequação ao propósito e estilo do filme também são elementos muito importantes no momento de mensurar quanto do seu processo criativo vai para o filme.

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Diretor de fotografia tem que estar sempre atualizado no que se refere a tecnologia. Onde você busca informações sobre câmeras e lentes?

Apesar de gostar muito de novas tecnologias, não me considero o cara mais informado do mundo. Mas com certeza recorro a internet para saber das novidades em tecnologia e encontro muitas fontes de informação, principalmente canais do Vimeo e do YouTube. Apesar de ter muita coisa duvidosa, tem também canais muito interessantes. Além disso, existem ainda os Fóruns de Cinematografia e Visual Effects, com um povo sempre antenado e muito técnico, onde sempre dá pra ir 'roubar' algumas informações. 

Qual foi o momento mais desafiador da sua carreira como DP (Diretor de Fotografia)? O que você aprendeu com isso? 

Com certeza este momento está acontecendo agora, que mudei para Vancouver, no Canadá. A equipe que eu trabalhava está em São Paulo e a distância está me fazendo repensar como produzir e como fazer para me manter motivado e ir em busca de novas soluções. Novos projetos estão começando a aparecer e acredito que em um futuro breve estarei produzindo novamente.

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Fale um pouco sobre a indicação de melhor fotografia no festival de St. Tropez.

Para mim foi uma surpresa a indicação num festival tão importante internacionalmente, com uma produção que custou menos de 7 mil reais e muita força de vontade. O filme 'O Pesar da Dúvida' entrou inclusive em muitos outros festivais internacionais, mas a indicação de melhor fotografia foi, com certeza, uma surpresa agradável. Gostaria de ter ido ao festival vivenciar toda a magia que envolve a indicação a um prêmio deste nível, mas na ocasião eu estava envolvido em outros projetos no trabalho e não pude sair do país. Sem dúvida, é uma indicação que vai ficar marcada na minha carreira.

Filme ou digital? Essa é a pergunta que não quer calar.

Eu sou fã do cinema digital, que não exclui, agrega. Com as novas ferramentas digitais, muita gente que nem sonhava em produzir, está produzindo coisas inacreditáveis. Considero que a grande briga em relação a qualidade de imagem e às questões técnicas de latitude e ruído já nem são mais tão relevantes, quando falamos de cinema de grande orçamento. É só uma questão de tempo até essa tecnologia chegar ao consumidor independente.

Qual sua opinião sobre o momento atual da indústria audiovisual no Brasil?

A indústria audiovisual no Brasil está crescendo e mostrando um avanço muito animador. Acredito que nunca será igual a Hollywood, nem deve. O Brasil tem uma identidade nas suas produções, ao meu ver, isso tem que ser preservado. Acredito que em nível de budgets, precisamos nos desligar das grandes empresas, que hoje dominam o cinema e começar a abrir um espaço mais significativo para o cinema alternativo ou mesmo para novas empresas surgirem. 

 

Fotos: Rafael Lucien, Rafael Nani e Gabriel Portella

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