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O documentário Junho, O Mês que Abalou o Brasil, de João Wainer, entra no circuito de cinema no país perto de fazer um ano desde a grande manifestação popular de 2013, organizada pelo Movimento Passe Livre. O filme está sendo distribuído simultaneamente pelo iTunes para mais de 80 países, tem produção da Folha de São Paulo e é distribuído pela O2 Play, braço da produtora O2 do diretor brasileiro Fernando Meirelles. A intenção da estratégia de distribuição pelo iTunes é mostrar ao mundo a realidade dos fatos históricos ocorridos desde então, quando os protestos passaram, pela primeira vez, a fazer parte da realidade cotidiana brasileira.

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O diretor Wainer é fotógrafo e documentarista, editor da TV Folha, do jornal Folha de São Paulo. Com tal experiência, captou imagens in loco para a TV Folha, já pensando em transformar o material em filme. Reuniu as imagens das crescentes manifestações em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília e tantos outros locais, entrevistas com populares, professores universitários, filósofos e políticos. Os depoimentos de parlamentares como Cristóvão Buarque, no momento em que o Congresso Nacional, em Brasília, estava cercado por milhares de manifestantes, é impactante por si só, quanto mais ao contraste que faz o diretor do filme ao discurso não convincente de José Sarney, na mesma ocasião.

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O contraste entre discurso e realidade é um dos pontos altos do filme, principalmente em sua parte final, quando emociona o Hino Nacional cantado na abertura da Copa das Confederações, no ano passado, por uma multidão que cantava o hino com garra, com força, unindo o canto às vozes das ruas. Emocionante também o final, que mostra um Brasil do Índio, da criança que vive em palafitas, das pessoas nas ruas, clamando por um país digno e exigindo o fim da corrupção. Esse final, considerando as devidas diferenças, guarda uma leve semelhança com o curta-metragem de Glauber Rocha, Maranhão 66 (1966), sobre a posse de José Sarney no Governo do Maranhão à época, ao contrastar seu discurso e promessas em palanque, à realidade de miséria e abandono do povo local, ficando na tela a voz off de Sarney destoante do horror que revelavam as cenas captadas por Glauber.

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Junho, O Mês que Abalou o Brasil também passa a limpo a violência policial nas manifestações, num primeiro momento, contrastando-a com a omissão das forças de repressão num segundo instante.

E deixa clara a própria incerteza da mídia frente a esse novo ingrediente do cotidiano nacional, o protesto. O documentário, principalmente por meio da entrevista, expõe as falhas da mídia televisiva em tais coberturas, ao insistir em reservar aos manifestantes brasileiros a alcunha de vândalos. Tratamento muito distinto se verifica nas coberturas internacionais das mesmas redes nacionais, quando manifestantes estrangeiros recebem denominações como simplesmente manifestantes, protestantes ou ativistas.

Arrepiante, emocionante, bonito, forte. Necessário para se repensar o Brasil e os rumos, não só das manifestações, como da política em ano eleitoral, Junho, O Mês que Abalou o Brasil, precisa ser visto e revisto.

 

  

Fotos: Divulgação
Colaboração:
Denise Duarte PerfilDenise Duarte é professora universitária de cinema e audiovisual, roteirista, autora teatral e especialista em cinema na programação da Rádio Nacional FM Brasília (EBC). 

 

GRAMADO Capa

O Festival de Cinema de Gramado acontece de 26 de agosto a 03 de setembro.

AQUA CAPA

O longa, que foi apontado pelo jornal britânico The Guardian como uma das promessas para o Oscar 2017, já foi vendido para mais de 55 países e estreia no Brasil em 1º de setembro.

MCB CAPA

As exibições acontecem de 15 a 18 de junho em Florianópolis e de 27 a 30 de junho em Curitiba.

BranCURA CAPA

A diretora Giovana Zimermann lança o filme branCURA, no dia 8 de junho, com entrada gratuita em Florianópolis.

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