Entrevistas

Ruido Mm 1

A banda ruído/mm, fala-se ruído por milímetro, foi criada em 2003, em Curitiba (PR) e atualmente é uma das principais representantes da cena post-rock brasileira. O quinteto é formado por Alexandre Liblik, no piano, teclado e escaleta; André Ramiro, na guitarra, Felipe Ayres, na guitarra e efeitos eletrônicos; Giovani Farina, na bateria; Rafael Panke, no baixo e Ricardo Oliveira, o Pill, na guitarra. Eles já tocaram nas principais casas de shows e festivais do Brasil: Festival Lab, Coquetel Molotov, Sinewave Festival, Teatro Paiol, Conexão Vivo, Sesc Pompéia e Virada Cultural são alguns. O último disco da banda é Rasura, onde mostram que estão maduros o suficiente para brincarem com diferentes melodias e surpresas. Confira a entrevista respondida por Alexandre Liblik. 

 

Fazer música é um estilo de vida.

Vocês têm mais de dez anos de carreira, quatro discos lançados, já tiveram outras formações. Qual é a dor e a delícia de ser Ruído/mm?
Tudo atualmente é preenchido por valores do mundo corporativo. Tudo é grana, business, "valores" produtivos. O ruído/mm é amizade, compartilhar experiências improdutivas de determinação de subjetividade. Não que seja um "hobby" ou alguma tolice dessa. É uma experiência séria e autêntica, mas o que nos guia é muito mais profundo do que uma carreira. Fazer música é um estilo de vida.
 
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Por que Ruído por milimetro? Qual o significado do nome para vocês?
Uma unidade imaginária, que se relaciona com a experiência sonora. Nós gostamos de ruído. A música deve causar tanto desconforto quanto conforto: incomodar os acomodados é o significado.
 
Como é o processo criativo da banda? Trabalham todos juntos na composição e arranjos das músicas?
Falar sobre isto é muito complicado. Não existe uma fórmula - apenas linhas gerais que tentamos seguir. Cada vez que tentamos, acontece de uma maneira diferente. A distância é um fator que dificulta o processo (o Ramiro por exemplo, mora no Rio de Janeiro) mas neste sentido, a tecnologia e suas ferramentas tem permitido este processo de várias maneiras eficazes.
 
 
Vocês trabalham de forma mais independente, a internet contribui para isso? 
Ao artista na atualidade só pode restar a independência. Os processos de produção e distribuição cultural diluíram a tal ponto que a produção cultural para esta nova geração só pode ser tentar se construir fora do processo. É óbvio que a captura por parte da indústria cultural é inevitável, mas há várias formas de guerrilha possíveis. A internet é uma das estruturas chaves para que isto possa acontecer, ao mesmo tempo, gera o problema da diluição ao extremo. A tendência das formas de arte tornarem-se cada vez mais restritas a nichos menores e mais específicos, criando um tipo de "aristocracia" do "bom gosto". Aqui, um parêntesis: no fundo não era isto que Proust já previa no seu Em busca do tempo perdido? A crítica cultural e a arte como um processo cada vez mais elitizado e aristocrático, como oposição à cultura de massa?
 
Quais são os "discos de cabeceira" de vocês? O que estão ouvindo mais no momento?
O ruído é um catalizador de processos - um bando de malucos fazendo terapia de grupo. Cada um traz milhares de referências e seria impossível te resumir de maneira simples para satisfazer a tua pergunta. Vou facilitar e te dizer que na última viagem que fizemos para tocar na Virada Cultural, em São Paulo, fomos ouvindo o Vulnicura, da Björk e o Carrie & Lowell, do Sufjam Stevens, dois belíssimos discos.
 
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O álbum Rasura leva o ouvinte para uma viagem sensorial. Como está sendo a recepção do público com este trabalho?
A música instrumental pode causar uma preguiça na maior parte das pessoas. A banalização das palavras é um dos motivos pela qual não temos trabalhado com canções no senso convencional da música pop. Mas apesar disto, o formato canção não nos desagrada: o Rasura tem mais relação com canções do que com algum pretenso virtuosismo instrumental. As pessoas que tem enfrentado esta "barreira" com curiosidade tem nos dado um feedback legal quanto a esta experiência sensorial, como você colocou na pergunta.
 
O Ruído/mm cria verdadeiras experiências musicais que envolvem quem vai aos shows. Com é esse momento pra vocês?
A música é mais do que um fenômeno reprodutível. Na verdade, a execução ao vivo permite uma percepção mais completa dos epifenômenos provenientes da execução musical - como chamamos de "efeito-bolha". É o sentido maior de toda e qualquer experiência musical artística. Tocar e compartilhar este momento com as pessoas é sublime. É o nosso maior combustível.
 
 
Quais os próximos planos e projetos da banda?
Estamos sempre interagindo e tentando novas combinações. As pessoas podem esperar esta curiosidade e um perpétuo esforço por outros sons, outras batidas e outras pulsações da nossa parte!
 
Um ruído é a busca incessante de um enovelamento/emaranhamento quântico.
 
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Fonte: Ruído/mm
Fotos: Divulgação
 

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