Entrevistas

Italo Cunha

Nasceu em Brasília, Brasil, 1992. Aos 16 anos conquistou uma bolsa de estudos para integrar a renomada faculdade Berklee College of Music. Graduou-se aos 20 anos de idade e foi para Nova York, onde tocou com alguns dos maiores nomes do Jazz e da Música Brasileira, como Ivan Lins, Lee Ritenour, Terry Line Carrington, Greg Osby, Hal Crook e outros. Apesar da pouca idade, Italo já gravou para Paramount Pictures, foi semifinalista da International Songwriting Competition (2013), realizou turnês na Noruega, EUA, República Dominicana e foi guitarrista assinado com a gravadora Jazz Revelation Records.

Qual a importância da formação musical em Berklee para a sua carreira?

Estudar na Berklee College of Music foi uma das experiências mais enriquecedoras e gratificantes que já tive. É um lugar multicultural, com músicos de altíssimo nível e que prepara o estudante para todos os ramos da música. Alguns dos meus artistas favoritos como Steve Vai, Pat Metheny, John Mayer e Joe Lovano estudaram lá, por isso sempre sonhei em estudar na Berklee. Foi foi lá que tive a oportunidade de fazer as primeiras turnês e me apresentar ao lado de grandes nomes da música como Ivan Lins, Lee Ritenour e Greg Osby.          

Como funciona, no dia a dia, o seu processo de criação? 

Meu processo de criação é bem metódico. Penso no estilo e tipo da música que quero escrever e anoto no papel. Por exemplo, qual o tipo de groove, forma, tempo, o lugar onde poderia tocá-la, com quem a tocaria e para quem. Com isso em mente, improviso algumas ideias. Gravo pelo menos cinco 'rascunhos', das cinco ideias que gravei e escolho uma que me agradou. Testo algumas coisas e faço alguns ajustes. Quando sinto que a ideia tomou seu formato e que a música já 'existe por si mesma' é hora de escrevê-la na partitura. Por fim, após o término da partitura, faço uma última gravação para ter uma espécie de produto final, para escutar e consultar. Depois disso começa o processo de arranjo, ensaios e gravação, que são etapas distintas.      

De todas as vantagens de ter morado fora e consumido culturas diferentes, qual é a particularidade mais preciosa que você encontrou neste processo?

Morar fora e conhecer outras culturas te deixa com a cabeça aberta e faz com que você tenha diferentes paradigmas. Um fato interessante, quando estudei na Berklee e quando morei em Nova York, era que pessoas do mundo todo, de diversas culturas, estudavam lá. Muitas vezes a melhor maneira de se comunicar era musicalmente, pois nem todos eram bem articulados no inglês. Desse modo, era comum você tocar em um grupo onde cada integrante era de um continente diferente. Me lembro de tocar um show de Jazz em que o pianista era chileno, o baixista japonês, o baterista americano, o saxofonista porto-riquenho, o clarinetista norueguês e eu, brasileiro.

Quais são suas influências? De onde você tira sua inspiração?

Foram grandes influências no meu modo de compor e tocar: Nirvana, Joe Satriani, Pat Metheny, Jack Johnson, Dominguinhos, Seu Jorge, Otis Redding, Miles Davis, Jeff Beck, Paul Mccartney e outros. Atualmente, minha inspiração vem do cotidiano, da família e dos amigos. 

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Quais são os artistas que você mais admira na cena atual da música brasileira?

Admiro muito o trabalho do Seu Jorge, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Paulinho Moska e Caetano Veloso. Porém, todos já são artistas consagrados, a meu ver. Dos artistas novos, admiro o trabalho da Tais Alvarenga, Leandro Pellegrino, Tiago Iorc, Rodrigo Bezerra, Pedro Martins, Ricardo Grilli e Rick Azevedo.

Qual sua maior ambição como profissional e ser humano?

Minha maior ambição como profissional é continuar produzindo música e recebendo o carinho do pessoal que as escuta. Estou trabalhando em um EP de quatro músicas que deve ser lançado no fim desse ano. Comecei o ano lançando um single de uma versão que produzi de 'Sitting On The Dock Of The Bay'. Tive uma carinhosa receptividade desse lançamento e agradeço a todos por isso.

 

Fonte: italocunha.com e soundcloud.com/italo-cunha
Fotos: Michael Borgida e Ignacio Long
 

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