Entrevistas

Renee Mussi Intro

Renee começou a discotecar em 2006, incentivado principalmente por Ale Reis. Sua música agradou e recebeu o reconhecimento do público e da crítica, foi premiado como Melhor DJ do Brasil pelo Rio Music Conference (RMC) e indicado a prêmios de DJ revelação, pela DJ Mag e Cool Awards. Para incentivar a música eletrônica brasileira, foi responsável pelo Fiesta Privada Brasil e Terraza, projeto que trouxe Fumiya Tanaka, Daniel Bell, Margaret Dygas portátil, Franco Cinelli, Alex Picone, Mass Prod. Ele conta ao Exib.me um pouco da sua trajetória e seus próximos planos.

Qual é o papel do criador na sociedade contemporânea?

Acredito que o nosso futuro está vinculado a valorização das coisas. Atualmente o mundo se tornou muito capitalista, tudo é mensurado seguindo razões e teorias fundamentadas em lógica e esquecendo os valores que realmente importam. Acho que a valorização artística está um pouco comprometida, mas acredito que no futuro as pessoas voltem a aprender, a amar umas as outras e se desvincular desses paradigmas. Voltarão então a valorizar a arte da forma correta, procurando entender e respeitando os outros, suas crenças, suas filosofias. 

A atuação do DJ pode ser comparada ao show de uma banda, pois é o último passo da carreira do músico. Tem que estudar, praticar, compor para então se apresentar ao público. Hoje vivo isso tudo simultaneamente e me faz muito feliz.

Quais as melhores apresentações da sua carreira e por que você as classifica assim?

As melhores apresentações são um somatório de diversos fatores. Adoro tocar em diversos projetos culturais, assim como super clubs. Me realizo tocando para pessoas que curtem, admiram meu trabalho e estão abertas a novas experiências. Falar de todas essas apresentações seria comprometedor, pois eu esqueceria de algumas. Então vou citar alguns clubs que marcaram até agora a minha vida: Warung, D-Edge, Kater Holzig, Waagenbau, Sisyphos, entre outros. Tive a oportunidade de tocar por três anos seguidos no Kater Holzig, sendo que em 2011, foi a minha primeira gig em Berlin, um back-to-back com Phonique e Ale Reis por 12 horas sem parar. Foi emocionante, indescritível. Waagenbau também marcou muito, é um club em Hamburgo, ao norte da Alemanha, onde também toquei com Ale Reis, em 2011 e 2012. Sisyphos, tive grande last minute gig em 2013, que me surpreendeu muito. Warung e D-Edge são os principais clubs brasileiros, onde tenho grande prazer de tocar. Além de ser muito bem tratado. É realizador ter essa liberdade artística no meu país. Sou muito grato ao Warung e ao D-Edge por acreditarem meu trabalho e me convidarem para diversos eventos. Também tive o prazer de tocar no D-Edge com Renato Ratier, Ricardo Villalobos, Nina Kraviz, Anthony Collins, Innervisions (Dixon, Ame, Henrik Schwarz), Alex Picone, assim como no Warung. Confesso que a emoção de subir na cabine desses clubs é algo mágico. O D-Edge te tira a noção temporal, você fica imerso numa noite sem fim, como se fosse uma outra dimensão. Já no Warung é como se fosse um templo, ‘O Templo" da Música Eletrônica’; o amanhecer, com as cores confrontando com a vibe daquele lugar é uma emoção única, um somatório de energias, muito singular.

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Você foi premiado pelo Rio Music Conference (RMC) e indicado a prêmios de DJ revelação, pela DJ Mag e Cool Awards. Esse reconhecimento abre novas oportunidades profissionais, surgem convites para tocar em novos lugares? Como é essa repercussão?

Fico muito contente por ter concorrido a várias premiações, com certeza isso faz parte do reconhecimento do meu trabalho. Claro que existe uma repercussão e o feedback é sempre bom, mas não posso me prender a isso, tenho que continuar trabalhando e focando nos meus objetivos pessoais e profissionais. As premiações são sempre consequência de uma boa realização das minhas ideias, composições e apresentações.

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Como é o seu processo de criação? Você tem preferência por alguma etapa da produção musical?

Acredito que música não tem regras. A criação depende muito do seu estado emocional e da sua criatividade. Tem dias que estou apenas aprendendo a mexer nos equipamentos, ligando uns nos outros, sem compromisso, aí surgem algumas ideias e começo a gravar para utilizar futuramente. Mas também tem dias que estou determinado a criar algo diferente ou seguir uma musicalidade específica e assim vai.

Onde você busca inspiração? Quais artistas prefere, tanto no seu segmento como no de outros?

Eu ouço de tudo: jazz, bossa nova, funk, soul, disco, experimental, música clássica, dub, reggae, techno e por aí vai. Busco inspiração em diferentes sonoridades que me agradam. Quanto aos artistas, vou me restringir ao segmento de música eletrônica: Ricardo Villalobos, Moritz Von Oswald, Max Loderbauer, Kassem Mosse, Carl Craig, Moodymann, Larry Heard, Thomas Melchior, Pepe Bradock, Theo Parrish, Baisc Channel e Substance são artistas que eu admiro e acho que estão sempre à frente, ou seja, encontraram sua identidade musical, podemos observar autenticidade em cada obra.

Atualmente você é residente da Pacha Floripa e da Fiesta Privada Brasil, também integra a D-Edge Agency. Quais são os próximos planos para a carreira?

Em 2013, estreei meu projeto chamado Stekke, com Ale Reis. Temos muita afinidade musical e buscamos os mesmos objetivos. Considero ele como um pai para mim, dentro da música eletrônica, cada dia aprendo algo novo com ele, desde pesquisa, produção, equipamentos e técnicas de estúdio. 

Este ano estamos lançando nosso selo chamado Sketches Records, que terá seu lançamento apenas em vinil com tiragens limitadas. Espero desse projeto mostrar um pouco das ideias que acreditamos, registrando ao mundo o trabalho de alguns artistas que admiramos.

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O que você indicaria pra quem está começando? Como se destacar no mercado internacional?

Não acredito em fórmulas. Acredito que o amadurecimento pessoal, autenticidade, identidade é o mais importante. E isso muda de pessoa para pessoa, de artista para artista. Cada escolha é uma renúncia e a vida é baseada nas suas escolhas, cada uma vai refletir no seu futuro e, consequentemente, traçar seu caminho. Não existe fórmula para o sucesso, basta seguir o que você acredita e buscar sua felicidade. Tudo que é feito com amor verdadeiro, contagia as pessoas de alguma maneira. 

Creio que o sentido da vida é sermos importantes uns para os outros. Me realizo no meio artístico, possibilitando às pessoas momentos de emoções que elas não podem atingir por elas mesmas. É uma troca de experiência incrível, onde por um momento compartilho meu estado emocional e as pessoas correspondem.

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Fotos: 1 a 4 - Arquivo Pessoal; 5 Warung. 

 

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